Cinco ensinamentos de “Livre para voar”

4 de setembro de 2018 | por Filipe Isensee

‘Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”.

A frase não é de Fábio Teruel, autor de Livre para voar, mas está abotoada ao livro e presente no desenrolar dos capítulos escritos por ele. Existir é pouco, muito pouco. É saber ser borboleta e tristemente se contentar no papel da lagarta, alheio à potência do voo, como ele compara logo no começo. Voar – ao contrário – é viver a vida plenamente, com sabedoria e sem amarras, em sintonia com o seu propósito. Essa busca quase nunca é simples, mas é recompensadora.

Radialista, cantor, motivador e evangelizador, Teruel costura mensagens de incentivo e alguns puxões de orelha para você subverter a máxima escrita por Oscar Wilde, dizer sim ao voo e, assim, viver a vida. Abaixo, cinco ensinamentos do livro.

 

Redescubra seus dons

Será que você não está sentindo vazio porque não tem consciência do potencial que existe em seu interior? A pergunta registrada por Teruel nos leva ao aspecto principal da lição: identificar e derrubar as barreiras mentais que o impedem de se enxergar como realmente é. A transformação interior, de dentro para fora, leva a uma redescoberta daquilo que nos cerca. “As mudanças que você tanto quer ver do lado de fora só acontecerão se você primeiro se comprometer a alterar algumas coisas dentro de si mesmo”, defende o autor.

Esse compromisso deve incluir necessariamente uma nova maneira de você se relacionar consigo mesmo. Não há mais espaço para se sentir inferior ou incapaz. Seja mais generoso com você. Olhe-se no espelho, perceba as qualidades e os defeitos, mas não desmorone por algo que deu errado; aproxime-se do seu sonho, pouco a pouco. O mais breve deslocamento faz a diferença. “Você tem uma tarefa a cumprir e um sonho a realizar. Então, mãos à obra”, instiga ele.

 

Evite a autossabotagem

Muitos livros apresentados no blog tratam do assunto, uma espécie de cacoete que nos persegue. Que mania é essa de criarmos as armadilhas que nos impedem de avançar? “Todos cometemos erros, mas um verdadeiro autossabotador tenta consertar os seus prorrogando a resolução com decisões cada vez piores”, define Teruel, que elege as desculpas como a maneira mais comum de criar esses entraves. Você se reconhece? De desculpa em desculpa, camuflamos o real motivo de não realizarmos algo que tanto queremos. Muitas vezes, a causa nasce, cresce e se reproduz na gente. E o pior, demora a morrer, ou às vezes nunca morre.

Claro, cada um sabe das dores que carrega. O importante, nesses momentos, é identificar quando um processo de cicatrização de feridas se estende de tal maneira que nos deixa sem perspectivas de seguir adiante. Viver dias difíceis fazem parte da história, mas a história não deve se reduzir à turbulência. “Não dá para ficar o resto da vida sentado sobre as cinzas, sentindo-se vítima e lambendo suas feridas”, reforça ele. Depois de um tempo, as desculpas apenas fazem você ficar parado no mesmo lugar enquanto sonha viver outra vida que não a sua. É muito pouco para você.

 

Liberte-se do passado

A ideia aqui não é que você se esqueça de sua origem, tampouco das experiências importantes que o formaram. Apenas entenda o lugar que o passado deve ocupar e que viver é seguir num passo que nos tira do presente e nos leva ao futuro – sim, com a rica bagagem do passado como aprendizado. “Muitas vezes, ficamos presos a acontecimentos antigos, a dores que sentimos há muito tempo e não foram curadas. É como um espinho que entra no dedo e não conseguimos tirar. Depois de um tempo, ele é absorvido pela pele e desaparece”, compara Teruel.

Ele aconselha que você procure dentro de si o momento em que o espinho o feriu para, assim, poder retirá-lo e eliminar a inflamação. Essa atitude nada tem a ver com culpabilizar os pais ou qualquer outra pessoa que fez parte seu crescimento. É, antes de qualquer coisa, um processo de redescoberta e de entendimento que aquele tempo já passou: “Por mais que doa, vasculhe suas memórias e busque suas próprias respostas. Só depois de encontrar a raiz de seu problema é que você será capaz de arrancá-lo de vez da sua vida”.

 

Abra espaço para o recomeço

Um verbo para se ter por perto: recomeçar. Ele não vem sozinho, claro. O recomeço pressupõe a coragem de não limitar seu percurso por causa das correntes da negatividade, sempre tão pesadas. Pressupõe a sabedoria de escrever a história da sua vida: dar pontos finais, abrir novas frases, páginas e possibilidades de construções do dia a dia. Embora as lembranças ruins sempre tentem vir à tona, você não é obrigado a revivê-las cada vez que surgirem.

“É possível que você tenha tido um começo de vida difícil. Pode ser que tenha passado por situações injustas ou dolorosas. Mas eu quero que você saiba que não importa como você começa, e sim como termina. Ou melhor, como recomeça”, salienta Teruel.

 

Semeie a gratidão em seu coração

Gratidão deve ser mais do que uma hashtag para enfeitar redes sociais. Ela deve ser cultivada todos os dias. Nossa tendência, por vezes, é considerar banal aquilo que já possuímos. Assim, ficamos à espera de novas conquistas e nos esquecemos das antigas, algumas certamente difíceis de alcançar. Essa perspectiva retira a cor e o sabor dos dias, mergulha tudo no desencanto, e nos mantém em máxima ansiedade pelo que ainda vamos ter. A grama do vizinho sempre parece mais verde. Pare de prestar atenção apenas ao que você não tem.

Livre para voar reforça o ensinamento: “Você não pode encarar como algo comum o fato de ter mais um dia para viver. Não pode aceitar como banal o fato de poder respirar. Não pode entender como uma coisa sem importância o fato de poder andar, enxergar, se alimentar e se levantar dia após dia. Portanto, não pode deixar de se sentir grato por tudo isso diariamente”.  A felicidade também está nos detalhes que deixamos escapar por estarmos à espera do extraordinário.

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