A consciência de ser consciente e o encontro do verdadeiro eu

17 de julho de 2018 | por Filipe Isensee

“Não há nada mais importante para o verdadeiro crescimento do que compreender que você não é a voz da mente; você é quem a ouve. A menos que você entenda isso, continuará tentando descobrir, entre as muitas coisas que essa voz diz, qual delas é realmente você. As pessoas passam por inúmeras mudanças tentando se encontrar. Elas querem descobrir qual dessas vozes é quem realmente são. A resposta é simples: nenhuma delas”.

 

A alma indomável propõe guiar o leitor num caminho de redescoberta de si, numa jornada sensível do eu. Faz isso a partir daquela voz que preenche nossa mente e sistematicamente nos desorienta. A voz sem corpo, mas com peso, é aquela que investe em diálogos incessantes na nossa cabeça. Indesejada colega de quarto, ela nos parte em dúvidas, assume posições diferentes numa mesma batalha travada dentro da gente.

Talvez você não dê importância, mas ela diz muito sobre nossas fragilidades e limitações.

 

A falsa segurança oferecida pela voz

Michael A. Singer, autor do livro que vendeu mais de um milhão de exemplares,  enfatiza que devemos nos livrar dela para, então sem ruído, termos acesso à essência de quem somos. Em geral, estamos tão acostumados a essa voz que não nos questionamos por que ela insiste em nos habitar. Não nos demos conta que a usamos como mecanismo de proteção e segurança, embora ela nos confunda e tire o sono. A consequência desse laço é mordaz: “Você será forçado a usá-la constantemente para amortecer seu papel na vida em vez de vivê-la”.

É preciso transcendê-la, romper a falsa casca de proteção para encontrar a saída na consciência. Ao realizar isso, você tem a chance de conhecer a verdadeira voz interior, elementar para o despertar espiritual. “Você nunca vai se libertar dos problemas se não se libertar antes daquela parte dentro de si que tem todos esses problemas”, ensina o autor.

Quando se fecha, mesmo com a desculpa de se proteger dos muitos problemas da vida, você tranca a insegurança e a infelicidade dentro de você. Isso faz com que seu crescimento interior seja adiado. Acima de tudo, isso é o oposto da liberdade.

 

O que fazer quando surgir um problema?

Para Singer, o importante é se distanciar do problema e entender por que determinada situação causa  incômodo. Ser capaz de ver o inconveniente já significa que você não é ele. Dessa maneira, você constrói uma consciência objetiva do problema e não se perde nele.

A lição no livro é clara: “Você só é capaz de resolver uma situação externa depois de admitir como ela o afeta por dentro”. No fim das contas, há uma parte de você que enxerga dificuldade em praticamente tudo, mas a solução disso não está em reorganizar o lado de fora, mas enfrentar o que está dentro.

 

O verdadeiro eu mora na consciência

Esse é um dos pilares do livro. A grande descoberta é possível quando você tem consciência de que é consciente. A partir daí, ocupa um lugar privilegiado de observação, um lugar profundo dentro de si. Nesse espaço habita o eu lúcido, um eu capaz de direcionar a luz da consciência para si mesma, tornando-a também objeto. A meditação se volta para essa busca, por exemplo.

“Quando se torna consciente da consciência em si, você alcança um estado totalmente diferente e então tem consciência de quem é. Você se tornou um ser desperto. E isso é a coisa mais natural do mundo. É como se você estivesse no sofá vendo TV, mas tão envolvido no programa que esqueceu onde estava. Então alguém o sacudiu e agora você voltou à percepção de que está no sofá assistindo à TV. Nada mudou. Você simplesmente parou de projetar sua identidade naquele objeto específico da consciência. Despertou. Isso é espiritualidade. Essa é a natureza do Eu. Isso é quem você é”, destaca Singer.

 

Use a vida para se libertar

A recompensa por deixar de se proteger sistematicamente – ou seja,  ter conseguido se livrar da parte dentro de você que sempre estava com medo – é a libertação, o crescimento espiritual.

O exercício da consciência consciente, por assim dizer, nos leva à clareza dos pensamentos e das emoções. E é justamente a consciência que deve exercer poder sobre eles. Quando isso não acontece, a mínima inquietude tende a aumentar e a exigir cada vez mais atenção. De repente, ela já é o centro da sua vida.

A consciência possibilita esse distanciamento das energias negativas. “Quando está livre do domínio que a energia exerce sobre você, você está livre para experimentar a alegria e a expansividade”, afirma Singer. Ao invés de mergulhar na poça das irritações cotidianas, você acolhe o mar da liberdade.

Os ganhos dessa conquista consciente, pontua o livro, são determinantes para uma vida mais equilibrada:

“Se conseguir aprender a se manter centrado diante das coisas menores, vai ver que também consegue se manter centrado diante das maiores e, com o tempo, mesmo diante de questões enormes. Os acontecimentos que seriam capazes de destruí-lo no passado podem vir e ir embora, deixando-o perfeitamente centrado e em paz. Você pode ficar bem, lá no fundo, mesmo em face de uma profunda sensação de perda. Não há nada de errado em estar em paz e centrado, desde que você libere a energia em vez de reprimi-la”.

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