Atenção plena: “a capacidade de aquietar a mente é a porta para sermos felizes”

13 de julho de 2018 | por Filipe Isensee

Eis aqui um par de respeito: equilíbrio e felicidade. Sim, um leva ao outro, mas como encontrá-los? Antes de mais nada, deve-se compreender que a almejada harmonia nada tem a ver com o que extrapola o corpo; ela cresce para dentro, nos mobiliza internamente, desfaz nós e apazigua. Num tempo de estímulos ininterruptos em telas espetadas por dedos velozes, o sossego – mais que luxo – é essência para viver bem, momento a momento. Eduardo Elias Farah está de mãos dadas com essa ideia. Tendo encontrado na meditação um caminho de autoconhecimento, ele nos conta sobre os benefícios da experiência em Mindfulness para uma vida melhor.

A palavra estrangeira diz respeito à atenção plena e é usada como sinônimo de meditação. Embora alguns autores apontem diferenças entre os termos, Farah concorda que de fato são “perfumes que exalam a mesma fragrância”, com objetivos e usos comuns, portanto também os utiliza assim. A despeito da dúvida sobre vocábulos, sobressaem os ganhos com a prática. “A capacidade de aquietar a mente e estar inteiro naquilo que fazemos, obtida pela prática de mindfulness, é a porta para sermos felizes e para expressarmos, de verdade, o melhor que há em cada um de nós, pondo fim ao sofrimento, tanto individual quanto coletivo. As melhores decisões são tomadas no estado de presença”, sintetiza o autor.

O encontro com a felicidade não retira os desafios inerentes ao dia a dia, mas nos condiciona a encará-los com serenidade. A prática de mindfulness/meditação, dessa maneira, amplia nossa percepção da realidade externa, com impactos positivos nos nossos sentimentos e reações. Farah reforça as sete atitudes básicas para o exercício: 1) Não julgamento; 2) Paciência; 3) Mente aberta; 4) Confiança em si e nos seus sentimentos; 5) Parar de querer controlar tudo; 6) Aceitar as coisas como elas são; 7) Não se apegar aos pensamentos.

Todos esses elementos convergem para a ascensão de um sentimento profundo, a paz de espírito nutrida pelo silêncio interno. “O silêncio é a morada de tudo que é bom; é onde nasce tudo o que existe. Precisa ser desenvolvido, reaprendido. O estado de meditação é o seu reino e nasce do que é real, verdadeiro, onde conseguimos reconhecer todos os elementos da vida com clareza”.

 

Benefícios

Estudioso de autoconhecimento, praticante e instrutor de diversas técnicas de mindfulness, Farah elenca os principais benefícios do exercício. A lista é extensa e inclui o desenvolvimento da capacidade de observação real (maior foco), da empatia e da compaixão. É um instrumento importante da inteligência emocional e da força criativa à medida em que nos dá clareza nas ações. Do ponto de vista da saúde, área que impulsionou a prática no Ocidente, é um aliado na diminuição do estresse.

Para Farah, contudo, o principal benefício é a chance de irmos além do piloto automático. Ou seja, conseguirmos nos desvencilhar de medos, vícios, raivas e hábitos arraigados ao nosso ser e que nos impede de produzir mais e melhor. “O piloto automático é uma complexa estrutura feita para nos proteger da dor e para obter o que acreditamos ser felicidade. Só que não percebemos como essas atitudes mecânicas geram infelicidade, em nós mesmos e nos que estão em nosso campo de atuação”, esclarece o autor.

A meditação dribla as artimanhas do ego ao ampliar nossa consciência. Mas não adianta entender a prática como uma pílula mágica. Com o exercício regular e constante, não se adquire a faculdade de eliminar sumariamente os problemas, mas, sim, o poder de encará-los de maneira diferente, o poder consciente da escolha disciplinada, atenta, objetiva e positiva para enfrentar qualquer tipo de mal-estar.

No livro, Farah detalha cinco tipos de práticas que podem ser utilizadas e aponta oportunidades alternativas para o exercício (ao cozinhar, lavar a louça e dirigir, por exemplo). O mais importante é estabelecer a conexão com você mesmo. “Qualquer coisa pode ser usada como um instrumento para nos concentrarmos no momento presente. Uma virada de pescoço, uma respiração, uma oração, um piscar de olhos, um copo d’água. Tudo pode servir para nos voltarmos para o agora. O grande desafio é renunciarmos ao pensar compulsivo, ao costume de contar uma história sobre nós mesmos e sobre os outros. O ego é viciado em contar histórias. A prática de mindfulness serve para cortar esse vício”.

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