“Ela cai e me olha antes de chorar” | Trecho de “Já tentei de tudo”, de Isabelle Filliozat

11 de junho de 2018 | por Editora Sextante

Ela chora porque você está presente e também porque ela obedece ao sinal que vem do seu rosto e que reflete preocupação. Um olhar cheio de confiança e um sorriso a encorajarão e, a não ser que esteja com muita dor, vão ajudá-la a se levantar. Se ela chora, é o momento de lhe ensinar as palavras para as sensações: “Ui! O seu joelho está todo vermelho, arde!” ou “É um arranhão, queima!”.

Ela não começou a chorar apenas porque viu que você a estava olhando. Isso demandaria capacidades de dissociação que ela ainda não tem. A criança é um mamífero. É verdade que já não há mais predador, mas ela não sabe ainda e o programa está inscrito nos seus circuitos cerebrais. Todo mamífero espera a sua mãe antes de expressar um sentimento de pavor em voz alta. Na ausência da mãe, é melhor não se manifestar em demasia. Quando mamãe (= segurança) voltar, posso descarregar as tensões acumuladas. O mesmo processo está em curso quando a sua filha fica incontrolável com você à noite depois de passar o dia divinamente bem na creche. Ela aguentou situações de estresse sem nada demonstrar e só “sucumbiu” quando você chegou. Às vezes isso é difícil para as mães, que podem ter a impressão de que a criança deixa o pior para elas, ou podem achar que não são boas mães (sobretudo quando o pai reforça: “Olha, comigo estava tudo bem!”).

Choros e crises de raiva são às vezes (frequentemente) simples descargas de tensão dirigidas à fonte de amor incondicional: mamãe. Esse comportamento continuará durante muitos anos ainda; tenha isso em mente quando sua filha adolescente lhe gritar toda a raiva que tem dentro dela. Não esqueça que você é o receptáculo preferido para os seus sofrimentos; não por não ter autoridade (é o que muitas vezes dizem o pai ou mesmo a sua própria mãe), mas porque com você ela se sente segura.

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