A morte não existe

14 de maio de 2018 | por André Sequeira

É comum ouvirmos que um livro muda vidas. Apesar de ser lugar comum, é uma das características mais incríveis da leitura – talvez, a mais importante. Dificilmente, acabamos uma história, seja ela qual for, da mesma maneira que começamos. Nós nos transformamos ao longos das páginas. E, mesmo quando odiamos determinado livro – é possível isso? –, aprendemos algo também.

Da mesma maneira que nos modificamos com a leitura, é ainda mais recompensador quando, durante a história, o próprio autor se transforma ao longo da escrita. Em livros autobiográficos, principalmente, este processo, muitas vezes, é emocionante, como no caso de A roda da viva, da Dra. Elisabeth Kübler-Ross.

Contado em forma de romance, o que aproxima ainda mais o leitor da autora, a obra foi escrita nos anos em que Elisabeth encarou a morte de frente. Durante este período, após o choque com a descoberta, ela enfrentou dilemas espirituais e filosóficos até compreender que a morte, na verdade, não existe.

Mais do que um livro de autoajuda, A roda da vida traz relatos verídicos que compõem um quadro amplo filosófico a respeito da cultura que sempre tratou a morte como algo que não deva ser pronunciado. Ao expor-se com o discussão sobre a etapa final da nossa existência, Elisabeth Kübler-Ross enfrentou críticas ferrenhas de profissionais que tentaram desacreditar seu trabalho. Mesmo assim, lutou contra a maré e provou estar certa, tanto que se tornou a mulher que transformou a maneira como o mundo ocidental encara a morte e o ato de morrer. Ela foi pioneira nesta abordagem de tratamento com pacientes em estado terminal.

Seu conhecimento, além da carreira como médica, foi consolidado após décadas em contato com pacientes graves, seja por problemas genéticos, acidentes ou doenças graves, como câncer e AIDS. É justamente este processo de aprendizado – até ela própria se deparar com a morte eminente –, aliado à sua história de vida de superação, que a doutora conta em A roda da vida. Este conjunto de experiências a tornou tão importante para milhares de pessoas ao redor do planeta que até hoje, mais de 13 anos após sua morte, Elisabeth segue sendo modelo para diversos profissionais e pacientes.

Nos últimos anos de vida, Elisabeth dedicou-se também ao estudo da vida após a morte. Talvez por sentir-se mais próxima do seu momento. Para isso, entrevistou milhares de pessoas que haviam enfrentado uma experiência de quase morte (EQM). Um dos relatos mais famosos sobre o assunto pode ser encontrado no emocionante A morte como despertar, do médico Rajiv Parti.

A obra de Elisabeth vai ao encontro de outro título da Sextante: Os cinco convites, de Frank Ostaseski. Neste, o autor analisa o processo da morte ainda em vida, não quando já estamos com “os dias contados”, mas quando ainda vendemos saúde. O perecimento é algo normal que deve ser encarado apenas como uma passagem. Segundo ele, é essencial que o encaremos como o estágio final de nosso crescimento e uma oportunidade única de transformação.

Ler Elisabeth Kübler-Ross é como iniciar um processo de autoconhecimento. E, com maior clareza de nossas vidas, você nunca mais aceitará não ter seus livros por perto para inspirar-se quando achar necessário.

A roda da vida foi um dos primeiros livros publicados pela Sextante e um dos seus maiores sucessos. Até por isso, foi a nossa escolha como primeiro título de uma retrospectiva mensal que faremos aqui no blog durante os próximos meses em comemoração aos 20 anos da editora. Falaremos de espiritualidade, de negócios, de alimentação, de vidas que marcaram a humanidade, de religião, de filosofia, de política e muito mais.

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