Literatura em defesa de todas as mulheres

17 de abril de 2018 | por André Sequeira

No dia quatro de abril de 2018, celebrou-se os 90 anos do nascimento de Maya Angelou – falecida em 2014. A autora ficou conhecida pela série de sete livros autobiográficos em que trata de temas como o racismo, a questão de gênero, a identidade e a família. Ativista atuante ao lado de Martin Luther King e Malcolm X, para ela não há “sexo frágil” ou “raça inferior”. Naturalmente, até pelo momento único em que vivemos de luta por igualdade de direitos entre homens e mulheres, a data foi muito celebrada tanto na mídia quanto nas redes sociais.

A reação com esta efeméride mostra como, mesmo indo de encontro ao que muitas pessoas alegam, a literatura ainda é um canal importante como forma de protesto. Desde os primórdios, grandes autoras lutaram contra o preconceito e o menosprezo ao sexo feminino. Virginia Woolf, Clarice Lispector, Cecilia Meireles, Simone de Beauvoir, Sylvia Townsend Warner, Alice Walker, entre muitas outras, são nomes que marcaram os leitores com suas batalhas a favor dos direitos das mulheres.

Por incrível que pareça, até na ficção de suspense esta característica tem se tornado frequente. Thrillers famosos recém-lançados, como A mulher na janela, de A.J. Finn, Garota exemplar, de Gillian Flynn, A garota no trem, de Paula Hawkins, e A mulher na cabine 10, de Ruth Ware, destacam-se pelas protagonistas femininas que precisam se superar para alcançar os próprios objetivos, sejam eles quais forem.

A diferença entre as autoras do passado e as do presente é que estas últimas contam com a ajuda da internet e com a facilidade em propagar informações – o que também vale para o lado negativo, infelizmente. Por meio das redes sociais, os indivíduos se conectam mais facilmente, trocam ideias, marcam manifestações e se mobilizam, como ocorrido no trágico episódio da morte da vereadora carioca Marielle Franco. Também graças à internet, movimentos como o #metoo se propagaram, o que serviu para que milhões de mulheres denunciassem abusos sofridos.

Uma voz atual importante é da ilustradora Carol Rossetti, que teve imagens viralizadas na internet a ponto de se tornarem matéria na CNN. Na obra elogiada Mulheres, ela apresenta textos sobre os temas centrais abordados em suas ilustrações, como corpo, estilo, identidade, relacionamentos e superação. Segundo ela, todas as mulheres são fortes, merecedoras de respeito e especiais do jeito que são, independentemente de opiniões e julgamentos alheios. Toda mulher tem a própria história e precisa ser ouvida e representada. Carol convida todos a dividirem com ela a ideia de liberdade e a celebrarem a diversidade da raça humana.

O combate constante e incessante é necessário, não só por parte das mulheres, mas dos homens também. Apesar das conquistas dos últimos anos, o caminho é longo. O machismo está enraizado na maioria das pessoas, por mais que não percebamos – ou que não queiramos perceber. E a manutenção desta realidade é confortável para muitos. No mercado de trabalho, se as mulheres tivessem as mesmas oportunidades, a competição, já complicada, ficará ainda pior. Nas relações, é muito mais cômodo subjugá-las e ser “macho” do que ter que argumentar nos debates e dividir as tarefas.

A insegurança masculina talvez seja uma das causas primordiais para o indefensável machismo. O curioso é que as mulheres não pedem nada a mais do que os homens possuem, apenas igualdade de direitos em casa, no trabalho, na rua. E, se com condições similares, elas dominarem o mundo – o que tenho quase certeza que ocorrerá – ninguém deve se desesperar. Estaremos bem cuidados e respaldados, como estivemos desde o momento em que nascemos. Devemos olhar para o lado e notar que elas estão sendo respeitadas e representadas em todos os âmbitos da sociedade. Enquanto isso não ocorrer, a luta precisa e vai continuar.

Se você é um daqueles que alegam ser contra o feminismo porque as mulheres também são contra o machismo, Mario Sérgio Cortella responde: “O feminismo não é o contrário do machismo. O machismo é a suposição de que nós homens somos superiores. O feminismo não é a suposição de que as mulheres são superiores. É a suposição de que homens e mulheres são iguais. Portanto, feminismo e machismo, um não é o contrário do outro.”

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