Compreenda a morte e viva plenamente

2 de abril de 2018 | por André Sequeira

Quando falamos da morte, a primeira ideia que sempre vem à cabeça é de algo ruim, sombrio e de muito sofrimento. É inegável que a perda de alguém é sempre sofrida e que, para quem está com os dias contatos, a morte traz muita apreensão e preocupação com o desconhecido que irá enfrentar. Porém, é imprescindível que tentemos mudar essa percepção e encaremos de frente algo que é inevitável a todos nós.

Ao longo dos últimos anos, vários livros têm tentado desmitificar este terror relacionado à morte. Uma das publicações que contribuíram muito para isso foi A morte como despertar, de Rajiv Parti, em que ele narra a própria experiência de quase morte (EQM), episódio em que um paciente, durante uma operação e sob o efeito da anestesia, sai do próprio corpo. Algo como se sua alma estivesse assistindo ao procedimento. Após este ocorrido, Rajiv se tornou uma pessoa diferente e que passou a ter como objetivo, segundo o próprio, “praticar a cura da alma, principalmente das doenças da alma, do corpo de energia, da dependência, da depressão, das dores crônicas e do câncer.” Criando, assim, um legado com que ele que possa conviver para sempre.

A morte como despertar fala da morte, do processo que a envolve e como pode ser a vida depois, tanto para quem se foi quanto para quem ficou. Segundo o autor, a morte não é o fim, mas o caminho para algo maior.

Como um possível complemento à obra de Rajiv Parti, chega ao mercado, no começo de 2018, o elogiado Os cinco convites, de Frank Ostaseski. Ele aborda o processo da morte ainda em vida, não quando já estamos com “os dias contados”, mas quando ainda vendemos saúde. O falecimento, segundo o autor, é um processo normal e que deve ser visto apenas como uma passagem.

“Um convite é um pedido para participar ou para acompanhar um evento específico. O evento em questão é a sua vida e este livro é um convite para que você seja totalmente presente em todos os aspectos dela”.

É importante dizer que o livro de Ostaseski não é triste e desalentador. Ele é, na verdade, uma ode à vida e ao autoconhecimento. O autor prega que a gente encare a morte de uma forma mais racional e imparcial, modificando, assim, o que somos hoje.

Segundo ele, precisamos parar de afastar o tema da morte. E, para isso, é essencial que o encaremos como o estágio final de nosso crescimento e uma oportunidade única de transformação. Passada essa etapa, estamos aptos a perguntar à morte como faríamos a um professor: como devemos viver?

Em Os cinco convites, Ostaseski convoca o leitor a explorar junto com ele o potencial que existe na reflexão de nossa finitude, na capacidade inata de amar, de cuidar, de confiar e de perdoar. Segundo ele, a morte é muito mais do que um evento médico. É um momento de amadurecimento, uma processo de transformação. Ela faz com que as pessoas entendam as mais profundas dimensões da humanidade.

O perecimento humano tem muito a ensinar a quem se orienta por ele. Ostaseski – professor de budismo e acompanhante de pacientes terminais – testemunhou isso não só em pessoas à beira da morte, mas também em familiares e cuidadores. Ao dividirem sentimentos e sensações com quem estava doente, descobriram em si um amor tão profundo que nem sequer imaginavam.

Para aquele leitor que se pergunta como conseguirá passar por tudo que debate Frank Ostaseski, é que entram estes cinco convites. São eles: não espere; aceite tudo, não rejeite nada; traga tudo de si para a experiência; encontre um lugar de descanso no meio de tudo; e cultive o não saber.

Esta obra marcante será o caminho para todos aqueles que estão enfrentando alguma dificuldade emocional, lidando com uma perda dolorosa ou uma doença grave, seja ela sua ou de um ente próximo.

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