Perceba a vida sob uma nova ótica

12 de março de 2018 | por André Sequeira

Roberto desde cedo foi um prodígio. Aluno exemplar e premiado no colégio, destaque na universidade e no mestrado e realizado profissionalmente no emprego. Divorciado, ele não considera a separação fracasso, mas consequência natural da vida. Tem dois filhos adolescentes, ambos universitários.

Engenheiro reconhecido, consegue tirar trinta dias de férias todo ano, época que escolhe para conhecer lugares novos, desde Orlando, nos Estados Unidos, até uma ilha inóspita na Indonésia. Algumas das viagens faz com os filhos, outras com namoradas e as demais sozinho. Analisando, sem aprofundar, a vida de Roberto, 99,99% das pessoas diriam se tratar de um ser humano feliz, realizado e curtidor da vida que ele mesmo lhe proporcionou – visto que até começar a trabalhar o dinheiro era escasso em casa. A verdade é que ele acreditava ser realmente feliz até receber a notícia que mudaria sua vida para sempre.

Por já estar na faixa dos cinquenta anos, foi, como em todo ano, realizar o check-up. Dessa vez, a única diferença era que, poucos dias antes, começara a sentir um incômodo no peito. “Normal, coisa da idade”, pensou ele. Infelizmente, longe disso. Com histórico familiar desastroso – pais e avós hipertensos e com colesterol elevado –, Roberto descobriu que sua saúde caminhava na mesma direção.

Prático como a maioria dos engenheiros, ele perguntou se havia algum tratamento drástico que facilitaria a melhora do seu estado clínico. A resposta do médico foi taxativa: “não”. Ele precisaria se policiar constantemente, comer melhor, exercitar-se e, claro, diminuir o estresse. Frente à esta realidade, Roberto não teve outra saída senão acatar as recomendações.

Com o passar dos meses, ele se desestimulou de vez. Tomava remédios – algo que sempre detestou –, comia alimentos que não lhe davam prazer. Por outro lado, o estresse aumentou. Os índices de saúde melhoraram, mas ainda eram instáveis, principalmente pela falta de exercícios e pela dinâmica no emprego. Esse desânimo, para piorar, começou a afetar também a vida pessoal do Roberto. Já quase no limite ele pensou: “preciso me manter saudável, mas como diante dessas dificuldades?”

Por uma jogada do destino, exatamente nesta época, Roberto encontrou um amigo de infância que não via há anos. Conversa vai, conversa vem, ao ouvir os problemas de Roberto, o amigo recomendou a prática da meditação. O engenheiro, racional que era, ficou cético, mas resolveu apostar, como uma última saída. Ele tem, aliás, este dia como aquele que mudou sua vida.

O que começou de forma tímida, com os meses, tornou-se hábito consistente e obrigatório para Roberto. Diferentemente do que ele imaginava, a meditação não era apenas uma forma de relaxamento que produzia zumbis, até porque, os grandes especialistas na área são pessoas extremamente ativas.

Hoje, passados dez anos do início da prática da atividade, Roberto já não toma mais remédios para pressão e o estresse sumiu definitivamente de sua vida. O problema permanece, mas o trabalho que faz com a mente e o corpo evita que ele sofra recaídas. Vale lembrar que tudo foi aprovado pelo médico dele e não algo decidido sozinho – depois de exames que comprovaram a melhora.

Com a meditação ele passou a se estressar menos e, quando ocorre algum episódio, a recuperação é muito mais rápida do que quando não praticava. Além disso, ele passou a enfrentar os acontecimentos normais de maneira tranquila, diferentemente das pessoas ansiosas, que os enfrentam como se fossem críticos. A meditação, entre muitos benefícios, treina a capacidade de reflexão e o foco no que realmente importa.

A história de Roberto é somente uma entre milhões ao redor do planeta. Um dos maiores males da atualidade é o estresse causado pela correria do dia a dia e pela pressão exercida pelos deveres familiares e profissionais. Milhões de indivíduos sucumbem anualmente, segundo a OMS, tendo colapsos nervosos, suicidando-se, surtando, entre muitas outras consequências. Isso sem falar na saúde, que se deteriora a cada mês, gerando severos problemas, alguns irreversíveis.

Para evitar este fim, diversas soluções são propostas, como largar o emprego, tirar um ano sabático, formar uma família, escrever um diário. Dificilmente estas resolverão a questão de forma definitiva. Depois de décadas sendo vista com receio, a meditação tem cada vez mais feito parte da vida das pessoas – com sucesso – e tornado seus respectivos cotidianos mais leves e saudáveis. Um bom exemplo está no livro A arte da meditação, de Daniel Goleman, mundialmente conhecido pelos best-sellers Inteligência emocional e Foco.

Na obra, Goleman ensina como tranquilizar a mente, relaxar o corpo e desenvolver o poder de concentração. Por meio de um depoimento sincero de sua própria experiência e um CD com quatro técnicas tradicionais de meditação, o autor aproxima de forma definitiva as pessoas dessa prática milenar.

Arrisque-se, aprenda a lidar melhor com as pressões do dia a dia e tenha mais qualidade de vida.

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