Como comer é tão importante quanto o que comer

5 de março de 2018 | por André Sequeira

É indiscutível que, hoje, um dos temas mais comentados pelas pessoas é dieta. Uns realizam há anos, outros começam e param a todo momento, alguns vão começar “na semana que vem” e muitos só prometem e nunca cumprem de verdade qualquer mudança alimentar. Os tipos são muitos, mas o objetivo mais comum é emagrecer. Poucos são aqueles que só pensam em melhorar a saúde.

Virou moda ser fitness, malhar muito e passar por privação de comidas. O significado da palavra não é esse, mas tornou-se esse nos últimos anos. Ser saudável é comer alimentos que não gosta muito – sempre em quantidade reduzida – e extinguir de vez o prazer em se alimentar.

Esta mentalidade, segundo a nutricionista Sophie Deram, é oriunda das famosas e propagadas dietas restritivas. São elas que incentivam a diminuição da ingestão de calorias ou a eliminação de grupos alimentares, como contar calorias ou deixar de ingerir carboidratos ou gorduras, sempre com o intuito de emagrecer.

Felizmente, alguns profissionais têm mostrado que, a longo prazo, não é saudável tornar o momento da refeição numa obrigação, como ir trabalhar ou realizar exames médicos. Pelo contrário: comer deve ser, em geral, o período para relaxamento, bate-papo e aproveitar amigos e familiares. Uma relação complicada com a comida tem o poder de afetar muito a qualidade de vida das pessoas e também de suas famílias. Isso precisa mudar em nossa sociedade.

Quando éramos crianças, não existia a preocupação de que determinados alimentos fossem proibidos ou ruins. Comíamos sem inquietação e com prazer enorme. Por que não voltar a viver de tal forma?

O caminho para emagrecer de maneira saudável e sustentável é somente um: retomar um dos prazeres mais importantes da vida – o prazer de comer. Atualmente não se pode comer determinado alimento porque ele representa um risco para o coração; mas, se esperarmos um tempo, outro alimento passará a ser o vilão. Depois de mais um tempo, aquele produto que ameaçava o coração agora faz bem. Além disso, a maioria dos nutricionistas alegam que para praticar esporte em alto rendimento é necessária a privação diária de “n” alimentos. Será? Pergunte aos atletas mais bem sucedidos em suas respectivas modalidades.

De acordo com Sophie, as dietas restritivas funcionam no início, ou seja, a pessoa que faz dieta consegue emagrecer. Mas, em raras ocasiões, consegue manter esse novo peso. Pesquisas apontam que entre 90% e 95% das pessoas voltam ao peso inicial ou, até, o ultrapassam. A indústria de dietas argumenta que a pessoa voltou a engordar porque não foi disciplinada e determinada. É uma explicação muito fácil e cômoda para eles: quem falhou foi você, não o regime que adotou. Se a maioria falha, o problema deve estar na dieta, e não na pessoa, concorda?

Alimentar-se bem e de maneira saudável e deixar de lado as dietas limitativas foi o objetivo de Sophie Deram ao escrever O peso das dietas, relançado, em 2018, com novas conclusões e atualizações sobre nutrição. Ela afirma, com base em entrevistas e pesquisa empírica, que o emagrecimento definitivo só ocorrerá quando todos voltarem a curtir o momento da refeição e ingerirem tudo aquilo que gostam e desejam. Até chocolate é permitido. O importante é ser paciente e não querer que os resultados apareçam em 30 ou 40 dias.

Em determinada parte do livro, a nutricionista afirma que “poderia escrever um livro inteiro apenas sobre mitos e regras não necessariamente comprovados, impostos como verdades absolutas: a necessidade de beber mais de dois litros de água por dia, a ideia de que açúcar é uma droga, a moda de fazer jejum intermitente para emagrecer.” Crenças como essas só tornam o ato de comer mais exaustivo e o transformam em algo difícil e perigoso.

É fundamental que a refeição volte a ser de afeto e tranquilidade, sem o peso de estar sempre atendendo a alguma dieta. Transforme a alimentação em um momento alegre e de reunião com amigos e familiares, e volte à época da infância.   

Lembre-se: nem tudo se resume a calorias!

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