Sete curiosidades sobre “A mais breve história da Europa”

26 de fevereiro de 2018 | por Filipe Isensee

A mais breve história da Europa se chama assim porque o autor decidiu abrir mão da linearidade rígida para narrar a formação do Velho Continente, do império greco-romano à União Europeia. John Hirst conta a história da Europa seis vezes, adotando pontos de vistas diferentes para conduzir cada pedaço dessa pequena grande narrativa entrelaçada, aprofundando aspectos em capítulos diferentes. É uma leitura ágil, que engatilha curiosidades e destaca os elementos fundadores da civilização que influenciou todas as outras. “Meu objetivo aqui é captar os elementos essenciais e ver como têm sido reconfigurados ao longo do tempo, mostrar como coisas novas tomam forma a partir de antigas e como o que é o antigo persiste e retorna”, sustenta ele.

Abaixo, você confere sete curiosidades sobre o continente nascido da mistura de culturas.

 

1- Grécia, o berço da Europa

Nos últimos anos, as notícias sobre a Grécia reportam com regularidade as consequências de uma crise financeira sem precedentes – empréstimos milionários e pacotes de austeridade foram iniciativas para tentar retardar o caminho para o abismo. O país da crise, marca que o acompanha desde os anos 2000, é também origem da cultura ocidental, o que explica por que a civilização europeia se impôs ao resto do mundo. Assim, é preciso voltar à Grécia Antiga para entender o Velho Continente. Nos seus dias de glória, a Grécia era formada por cidades-estados, onde surgiram as primeiras democracias. “Não eram democracias representativas; não havia eleições para escolher os membros do parlamento. Todos os cidadãos do sexo masculino se reuniam num lugar para discutir questões de interesse público e votar leis e políticas”, explica Hirst.

 

2- Conhecimento grego

A inteligência dos gregos é algo que espanta e fascina historiadores há muito tempo. A existência de mentes brilhantes naquelas pequenas cidades-estados ajudou a criar o caminho para descobertas importantes da ciência. Isso não quer dizer que eles estavam sempre certo. Para eles, as respostas científicas deveriam ser simples, matemáticas e lógicas. “Esse é o maior legado que a civilização europeia deve aos gregos até hoje”, acredita o historiador, lembrando que Newton e Einstein confirmaram o preceito grego. “Ambos conseguiram dar suas respostas na forma de equações matemáticas que descreviam a composição e o movimento da matéria”.

 

3- O milagre de Constantino

A religião é uma força política e social resistente, firmando-se como marca de um povo. A história da Europa, bem como de outros continentes, pode ser contada através de seus desdobramentos religiosos, motivos de guerras e uniões ao longo dos séculos. Um dos momentos decisivos na história do Império Romano, outra civilização elementar para a construção da Europa que conhecemos, se deu quando o imperador Constantino apoiou oficialmente as igrejas cristãs. Foi uma decisão surpreendente, já que os romanos consideraram os cristãos subversivos até então. O milagre estava feito: “Numa época em que o cristianismo estava longe de ser uma fé majoritária, o governante do estado o abraçou; deu dinheiro às igrejas e endossou o poder dos bispos. Cinquenta anos depois, outro imperador cristão baniu todas as outras religiões”.

 

4- Lutero abala a igreja

Na Idade Média, a supremacia do cristianismo foi questionada pelo monge Martinho Lutero. Você já deve ter ouvido falar dele. Se não lembra, foi ele quem disse que o enorme aparato que a Igreja tinha construído durante séculos era desnecessário. “Os católicos enfatizavam as boas ações como parte do processo de salvação. Sair em peregrinação, dar dinheiro aos pobres: tudo isso ajuda sua causa perante Deus. Lutero disse que não – como seria possível nós, pecadores e corruptos, fazermos algo para nos tornarmos aceitáveis aos olhos de Deus? A única coisa que podemos fazer é acreditar na promessa de Deus para, com isso, sermos salvos”. O Papa rejeitou as ideais de Lutero, mas ele prosseguiu e iniciou a Reforma Protestante. A disputa extrapolou sua figura: por mais de 100 anos, católicos e protestantes se combateram em guerras.

Lutero

 

5- Lei romana x Lei germânica

O Império Romano sofreu três grandes invasões ao longo de sua história, sendo a primeira delas pelos povos germânicos (isso começou a acontecer no século III), que se instalaram em espécies de minirreinos estabelecidos em diferentes pontos do território romano. Na hora de resolver algum problema sério, os caminhos eram um pouco diferentes: “Os romanos estabeleciam culpa ou inocência examinando evidências e testemunhos; os germânicos, pelo suplício do fogo, da água ou do combate. Por exemplo, mergulhava-se o braço de um suspeito em água fervente; se o braço não se curasse no prazo de três dias, o suspeito era culpado”. Simples assim! Hirst continua: “Suspeitos eram jogados dentro d’água: se flutuassem, eram culpados; se afundassem, inocentes”. O autor explica que, aos poucos, os sistemas se fundiram.

 

6- Deus salve o rei?

Embora tenham se tornado mais importantes e inacessíveis do que os monarcas feudais, os chamados reis absolutistas não podiam fazer o que quisessem. O autor ressalta que nem sempre eles eram tiranos e tinham de respeitar a lei regularmente e zelar para que seus súditos fossem tratados com justiça. A coisa mudava um pouco quando a questão era a segurança do estado. Aí, sim, os monarcas europeus recorriam a julgamentos sumários. “Eles difundiam a ideia de que reis eram agentes de Deus na Terra e tinham de ser obedecidos, o que era uma reivindicação maior do que as que tinham feito os primeiros reis. Ao mesmo tempo, ficavam constrangidos por essa fórmula, pois sabiam que Deus os julgaria pelo modo com que tinham governado”, esclarece Hirst.

Retrato do rei Luís XIV, por Hyacinthe Rigaud

 

7 – Uma questão de língua

O latim era uma das línguas universais do Império Romano, sendo falada pela população do Ocidente, enquanto o grego era mais popular no Oriente. Hoje, nenhum território do mundo a tem como língua comum. Sua importância na formação do continente, contudo, está preservada. A configuração estabelecida na época do império fez com que o latim se tornasse a língua de boa parte da Itália, da França e da Espanha. “O latim era a língua da administração, da lei, do exército, do comércio e com o tempo acabou obtendo uma vitória silenciosa sobre os outros idiomas”, pontua o autor. Hirst também afirma que a maioria das línguas faz parte de uma família maior, mas alguns países isolados têm uma língua não estreitamente conectada a qualquer outra, como os gregos, os albaneses, os húngaros e os finlandeses.

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