Se “A cabana” ainda poderia ficar melhor, este momento chegou

6 de fevereiro de 2018 | por André Sequeira

Ao terminarmos um livro, não é raro sentirmos aquele desejo de quero mais. Em diversas ocasiões, procurarmos referências em outros livros e na internet – às vezes até com amigos – que expliquem certas passagens da trama ou o que o autor quis dizer em determinado parágrafo. Identificou-se?

Alguns clássicos, como Ulysses, de James Joyce, ou David Copperfield, de Charles Dickens, receberam edições comentadas que ajudam o leitor a compreender melhor os diversos aspectos da obra. Outros tipos de títulos complementares são aqueles que dissecam charadas, locais secretos e mensagens deixadas por um escritor. Percebemos isso, por exemplo, nos livros que abordam as publicações de Dan Brown. Já perceberam nas lojas quantos títulos prometem desvendar os segredos de Anjos e demônios e de O código Da Vinci? Com o lançamento do mais recente, Origem, veremos, novamente, essa enxurrada de obras derivadas.

Contudo, o que foi realizado a partir do best-seller A cabana, de William P. Young, é diferente de tudo já visto. Com aprovação e apoio do próprio autor, o teólogo C. Baxter Kruger produziu o emocionante e honesto De volta à cabana. Nele, o leitor revisita o local onde o protagonista Mack Allen Phillips teve a filha assassinada, e onde fez sua maior viagem de autoconhecimento ao encontrar o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Cena do filme A Cabana, adaptação do livro homônimo

A cabana é uma obra intensa, repleta de mensagens – explícitas e subliminares – que abordam aspectos essenciais do cristianismo. Diante disso, muitas pessoas afirmavam que adorariam entender melhor as reações e os sentimentos de Mack, ou por que as três figuras apareceram justamente na vida dele ou, também, todas as possíveis razões que o levaram a superar trauma tão devastador. Além disso, sentiam necessidade de maior embasamento teórico a respeito do tema. William P. Young escreveu um livro ficcional e, apesar do notório conhecimento do tema, em momento algum almejou produzir uma tese acadêmica sobre religião.

Já Kruger, por meio de parábolas e exemplos, traz grande embasamento teórico e desenvolve, com mais profundidade, os conceitos filosóficos e teólogos que Young utilizou para elaborar sua história. Para isso, analisa o conceito da Santíssima Trindade e mostra como o Espírito Santo e o amor de Deus estão presentes em nossas vidas.

Um dos méritos de De volta à cabana é inserir o leitor na história de Mack, tornando-o mais próximo da nossa realidade. Kruger explica melhor os sentimentos que envolvem o personagem durante os dias em que passa ao lado das três divindades. Ele mostra, por exemplo, que o sofrimento de cada pessoa é também o sofrimento de Mack, e que é compreensível, até certo ponto, contestarmos a presença de Deus em nossas vidas.

Cena do filme A Cabana, adaptação do livro homônimo

O teólogo utiliza A cabana e a própria história pessoal de Young para demonstrar que quanto mais conhecemos Deus, menos importância damos aos problemas da vida. Lamentar-se e esconder-se atrás dos problemas nunca será a solução. Mack passa por esse processo de descobrimento nos dias em que se encontra na cabana, e inicia, assim, o processo de cura dos seus traumas. Ao aprender a relação com Deus poderemos seguir em paz rumo à felicidade.

A cabana e De volta à cabana são obras independentes e devem ser lidas separadamente e em ordem aleatória. Leitor algum deixará de aproveitar uma delas sem ter lido a outra. Porém, após a publicação do título do teólogo Baxter Kruger, a sensação que tenho é que lendo as duas, o leitor estará pleno e certo de todos os argumentos propostos por William P. Young. Ao decifrar melhor a proposta do autor, compreenderemos melhor Deus Pai, Jesus e a relação deles com a humanidade.

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