O mapa para compreender a alma feminina

1 de fevereiro de 2018 | por André Sequeira

O bom tratamento e o respeito às mulheres deveriam ser obrigatórios desde que o mundo é mundo. Não é o que ocorre. Elas são vítimas de injustiças, são atacadas física e moralmente, são menosprezadas no trabalho e sofrem todo o tipo de violência. Isso porque muitos ainda as consideram inferior aos homens ou apenas um objeto que lhes pertencem.

Durante muitos séculos, este assunto foi tabu e pouco se fez para alterar a realidade. Na Índia, mulheres sofrem estupros coletivos e os agressores ficam impunes; no Afeganistão, outras foram apedrejadas até a morte por ter cometido adultério; no Brasil, em 2016, uma menina de apenas 15 anos foi trancafiada numa cadeia masculina por 26 dias, sendo violentada diariamente.

Os exemplos acima são sérios e gravíssimos, mas, guardadas as devidas proporções, ilustram o que muitas mulheres enfrentam em seu cotidiano. No mercado de trabalho, a maioria ganha menos do que os homens em cargos similares, segundo a última pesquisa do IBGE. Em casa, muitas mães são responsáveis sozinhas por cuidar dos filhos pequenos, seja na licença maternidade seja na árdua jornada dupla após retornar ao emprego. É raro encontrar um homem que enfrente – e aguente – na mesma intensidade todos os problemas gerados pelos filhos pequenos.

Para completar, quando resolvem se divertir, há grandes chances de sofrerem assédio de algum rapaz que as considerou interessante. Eles agarram, tocam, falam grosserias. Quando muito, fingem serem decentes e, depois de um tempo, revelam a verdadeira face. A situação é grave e, cada vez mais, grupos feministas se insurgem visando combater a condição sofrida das mulheres. Como afirma o professor e escritor Sergio Cortella: “Feminismo, diferentemente do machismo, não prega que um sexo seja melhor do que outro, mas sim, que seja igual.”

Com o surgimento de vozes femininas fortes contra o assédio e o engajamento de celebridades na defesa do tema – como ocorreu na edição de 2018 do prêmio de cinema Globo de Ouro –, o assunto tomou proporções inimagináveis há alguns anos. Mulheres têm denunciado abuso na indústria cinematográfica dos Estados Unidos, atletas afirmam que foram assediadas na universidade ou no clube ontem treinavam; funcionárias de grandes empresas têm processado superiores que as molestaram.

Acima de tudo, torna-se evidente que muitos homens ainda não perceberam a importância do papel da mulher na sociedade. Além disso, não compreendem como pensa e age uma mulher e o que elas esperam da postura masculina. Ensinando desde cedo estes pontos às crianças, certamente, elas crescerão com os parâmetros certos para uma convivência saudável no futuro.

Celebridades ao lado de personalidades da luta feminista vestidas de preto na cerimônia do Globo de Ouro 2018 em protesto contra a desigualdade de gênero.

Para tentar abrir a cabeça daqueles que já não são mais crianças, chega às livrarias a obra O homem ideal, de Tucker Max e Geoffrey Miller. Nela os autores exploram a alma feminina para que os homens possam aprender como agir e, principalmente, como não agir. Eles garantem que, compreendendo o objetivo do livro, o leitor verá muito mais sentido nas reações e argumentações femininas e vai descobrir como se tornar o parceiro dos sonhos de qualquer mulher. As ideias expressas em O homem ideal não têm como base uma coletânea de opiniões e lições de moral. Elas são baseadas nos melhores e mais atualizados dados científicos sobre a psicologia feminina e a diferença entre os sexos.

Além de analisar a condição da mulher, Tucker Max e Geoffrey Miller irão em busca de mostrar aos homens o segredo para uma relação saudável e longeva. Eles analisam a perspectiva feminina na hora da conquista e provam que o sucesso masculino na vida amorosa passa por compreender cinco passos essenciais: usar a cabeça; desenvolver atributos atraentes; exibir as provas do seu valor; ir aonde as mulheres estão; entrar em ação.

Avaliar a relação homem–mulher será sempre tarefa árdua. O que os autores propõem em O homem ideal é uma nova abordagem à educação sobre relacionamentos, que passa, em primeiro lugar, pelo respeito e compreensão da condição feminina. Se o homem for capaz de entender a vulnerabilidade sexual e física das mulheres, a interação com elas vai passar a fazer muito mais sentido.

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