A vida na visão do espiritismo

2 de janeiro de 2018 | por Editora Sextante

Coragem

Não precisamos ser corajosos para ter coragem. Para ter coragem, é necessário uma única coisa: iniciativa.

Ir. Seguir em frente. Arriscar. Tentar.

Saber que pode dar errado e que, mesmo se der errado, vai ficar tudo bem.

Penso que tratamos a coragem com excesso de deferência. Alguém já disse que os corajosos são os covardes que não conseguiram fugir. Eu diria que os corajosos são os medrosos que não deram muita atenção ao medo e foram à luta.

Gente normal se torna corajosa quando decide viver. Para ter coragem, basta seguir o que mandam nossa consciência e nosso coração, na certeza de estar praticando o bem. Quando sabemos que estamos fazendo o que é certo, nos enchemos de coragem e de força para superar os temores.

Assim, procuremos dar menos atenção ao medo, menos reverência à coragem e, seguros de estarmos fazendo o que é certo e o que é bom, simplesmente sigamos adiante!

“A verdadeira coragem não é a de enfrentar o leão, a cobra, mas, sim, a de enfrentar o nosso próprio impulso.” – Chico Xavier

 

Ter fé é acreditar que está tudo certo e que vale a pena tentar. Quando queremos muito alguma coisa e nos esforçamos para conquistá-la, a chance de ter sucesso é grande. E, se não tivermos sucesso, tudo bem também, porque temos a consciência tranquila de que fizemos o nosso melhor. Tentaremos novamente, de forma diferente. Ou então desistiremos e seguiremos por outros caminhos. Não há demérito em desistir se o objetivo se prova inviável, da mesma forma que não há coragem na teimosia arrogante de insistir em algo apenas para manter a decisão.

Pense comigo: se Deus existe, tudo está sob seu controle. Lembremo-nos da definição de Deus pelo espiritismo: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.” Ora, se Deus é a causa de tudo, tudo o que acontece tem um propósito e um encaminhamento. Nada está errado, muito menos perdido para sempre. Sempre há futuro. Sabendo que assim é, por que se desesperar com o que quer que seja?

Com fé, sabemos que mesmo a pior das tragédias tem um propósito. Tudo tem conserto. Tudo tem jeito. Tudo tem sentido. Esse é um pensamento absolutamente reconfortante e libertador! Nada, então, importa tanto assim. Tudo se resolverá de um modo ou de outro. Fé tem mais a ver com o verbo saber do que com o verbo acreditar: saber que tudo se encaminha, sempre, para o bem.

O espiritismo nos incentiva a ter a chamada fé raciocinada, baseada na lógica, que não vai contra a ciência e o bom senso. É a fé que não exige que acreditemos em fatos absurdos. Tudo deve passar pelo chamado crivo da razão. Nada que seja irracional deve ser aceito. Para tudo há uma explicação lógica.

Fé é confiar no presente e no futuro. E agir tranquilamente na construção do bem. Mas não se pode usar a fé como desculpa para não fazer nada, acreditando que no final tudo se ajeita. A fé sem ação é inútil. Se as coisas não saírem como desejamos, tenhamos compreensão e calma e sigamos firmes na ação, tentando outra coisa, pois tudo se encaminha.

“A fé não move montanhas; a fé nos faz escalá-las.” – Leon Tolstói

 

Responsabilidade

Durante boa parte da minha vida, as palavras “responsabilidade” e “disciplina” soaram, para mim, pesadas, penosas e aborrecidas. Graças ao estudo do espiritismo, porém, fui mudando meu modo de ver o mundo e a mim mesmo, e conceitos como esses ficaram mais leves e bastante importantes.

De acordo com a filosofia espírita, temos responsabilidade com todos e tudo. Somos responsáveis pelo modo como agimos e por deixarmos de agir. Somos responsáveis pelo modo como expressamos nossos pensamentos e mesmo pelo que pensamos. Todas as pessoas à nossa volta podem ser influenciadas pelo nosso comportamento.

A responsabilidade pode ser considerada a chave-mestra do espiritismo. Quando cada um de nós assumir a responsabilidade por seu modo de ser e agir, pronto, tudo estará resolvido. Em essência, é isto que prega a filosofia espírita: que cada um cuide de si. Que cada um assuma a responsabilidade por si. Que cada um aprenda por si.

Esclarecendo a si mesmo e aprendendo o valor de ser correto e bom, cada um passará a atuar em prol do outro, em favor de todos, para o bem da humanidade. Lembremos que o bem é coletivo, mas a decisão de agir no bem é individual. Depende de cada um de nós avançarmos mais rapidamente. Se demorarmos, haverá mais sofrimento. Se nos adiantarmos, maiores serão a nossa paz e o nosso bem-estar. A decisão cabe, como sempre foi, a nós.

Mas e o outro? Só eu tenho que mudar? Só eu tenho que me corrigir? Só eu tenho que agir corretamente? Só eu sou responsável por tudo? Não, claro que não. Todos somos responsáveis por tudo. Só que o outro… é o outro. Sobre ele temos praticamente nenhum poder. Então, por que perder tempo e energia tentando modificar o outro enquanto temos ainda muito a fazer por nós mesmos? Por que ficar ocupado ou preocupado com os erros alheios quando ainda temos tantos erros nossos a corrigir? Se cuidarmos primeiro do nosso modo de ser e agir, nossos bons exemplos certamente ajudarão na mudança do outro e no progresso geral.

“O homem caminha no meio das próprias obras, portanto, se o caminho se encontra áspero, não adianta reclamar com Deus.” – Chico Xavier