Cinco passagens marcantes na vida de Daiana Garbin

27 de novembro de 2017 | por André Sequeira

Corajosa e direta, Daiana Garbin relata em Fazendo as pazes com o corpo sua jornada para vencer a relação doentia com a comida e sua obsessão pelo corpo perfeito – algo que ela, hoje, sabe não existir. Desde pequena ela convive com o chamado transtorno alimentar não especificado, no qual a pessoa apresenta comportamento nutricional desiquilibrado em relação à comida, gerando prejuízos à saúde. Ele é “não especificado”, porque não se encaixa em todos os critérios de nenhum transtorno específico. Segundo Daiana, era a distorção da imagem corporal que fazia com que ela se enxergasse de uma maneira totalmente diferente de como outros a viam. As consequências desta visão distorcida foram a depressão, o vício em remédios e a solidão.

Veja algumas das passagens mais marcantes da vida de Daiana:

 

A primeira vez em que se sentiu gorda

Quando a mãe a colocou no balé, aos cinco anos, Daiana percebeu-se grandalhona e barriguda no collant de uso obrigatório na aula, enquanto as demais eram menores e mais graciosas. Ela se sentiu amarrada, apertada e desconfortável com esta roupa.

 

Três eventos que causaram um estrago imenso em seu psicológico aos doze anos

O primeiro ocorreu na aula de educação física, quando a professora decidiu pesar todos os alunos e, ao fazê-lo, ia dizendo em voz alta a numeração de cada um. Sendo a menina mais pesada – apesar de não ser a mais gorda –, virou alvo de zombarias humilhantes.

O segundo refere-se ao dia em que comprou sua primeira calça jeans. Enquanto todas as amigas desfilavam modelos tamanho 34 e 36, Daiana só coube numa 42.

O terceiro consumou-se quando o menino de que gostava disse na cara dela: “Sabe, Daiana? Eu sei que você gosta de mim, todo mundo está falando. Você até que é bonitinha, mas eu não gosto de você, porque você é meio gordinha.”

 

O uso indiscriminado de remédios, as lipoaspirações e as dietas

Daiana abusou de medicamentos que a fizessem perder peso a qualquer custo, chegando a tomar três comprimidos de anfetamina num mesmo dia e a perder a capacidade de identificar sinais do corpo, como sede e fome. Fez todo tipo de dietas possíveis e, sempre que chegava ao fim, recuperava os quilos perdidos. Diante da infelicidade constante, até 2017 já foram três lipoaspirações, englobando partes variadas do seu corpo. No fim de todos esses remédios, operações e regimes, a conclusão a que Daiana chegou é que nada adianta quando você não se aceita como é. Sempre estará faltando algo.

 

O preconceito sofrido no trabalho

Em 2009, na avaliação ao fim do seu primeiro ano na TV Globo, seu chefe, inacreditavelmente, disse: “Você é uma excelente profissional, tem uma carreira brilhante pela frente, mas precisa fazer as pazes com a balança. Você sabe como é, TV engorda…eu sei que isso é delicado, mas nós percebemos que você engordou este ano.”

 

O anjo que surgiu

Em 2011, Daiana e Tiago Leifert começaram a namorar e, em 2012, casaram-se. Segundo a própria jornalista, ele foi a primeira pessoa a compreendê-la por completo, ajudando-a e apoiando-a em todos os momentos. Claro que eles passaram por momentos difíceis, sendo, talvez, o pior deles, quando ele descobriu que ela estava injetando insulina. Por o comportamento de Daiana ter mudado muito, ficando mais irritada, dispersa e com tonturas constante, Tiago descobriu o que ela vinha fazendo e deu um ultimato: “Ou eu, ou os remédios para emagrecer.” Desde então Daiana nunca mais ingeriu um remédio sequer.

TAGS: