As regras do jogo da vida: o que você quer?

17 de outubro de 2017 | por Filipe Isensee

O casal Allan e Barbara Pease conquistou a atenção e a adesão dos leitores ao identificar nós das relações humanas e desamarrá-los tendo o discurso motivacional como marca e essência. Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor? e Como conquistar as pessoas – dois dos seus títulos mais populares – realçaram a fama da dupla, cujo sucesso é simbolizado pela expressiva marca de 27 milhões de livros vendidos, três milhões deles no Brasil. O percurso proposto pela leitura de Se a vida é um jogo, aqui estão as regras, o mais recente dos autores, envolve consciência de erros e acertos, transformação e progresso, firmando-se como uma leitura de estímulo e encorajamento. “Este livro é o seu primeiro passo na direção de estradas nas quais você talvez nunca tivesse pensado em se aventurar e que você jamais viesse a conhecer”, frisam Allan e Barbara.

Com 16 capítulos, o livro se constrói a partir de considerações sobre a Lei da Atração, termo cada vez mais popular, sintetizado por esta frase do escritor Napoleon Hill: “Tudo o que a mente consegue conceber e acreditar, o corpo consegue atingir”. Se parece uma ideia inacessível e distante, os autores lembram que a nossa biologia possui um filtro potente e indispensável nessa conversa aparentemente ingênua sobre desejos que se tornam realidade: o SAR, ou Sistema Ativador Reticular. Localizado no tronco cerebral dos mamíferos, “esse sistema é o interruptor que liga o cérebro e é seu principal centro de motivação. Tudo o que vemos, ouvimos, sentimos ou provamos passa pelo SAR”. Caso nunca tenha ouvido falar dele, não se preocupe, é sempre tempo de fazer novos amigos. O SAR funciona como um guia, controla nosso sistema de crenças e faz uma triagem de informações reforçando aquilo que é importante. As tais regras do jogo da vida envolvem justamente saber programá-lo.

 

Tudo, tudo, tudo é teu é só querer. Você quer?

O que você quer?

Pergunta difícil, mas necessária. É preciso identificar os quereres, mas não adianta guardá-los dentro de si. Eles precisam sair de você, respirar, ganhar uma forma primeira a partir da tinta da caneta ou da grafite do lápis. Palavra por palavra, meta por meta. Sim, faça uma lista. Já pegou o papel? O objetivo é: escreva “tudo o que queira fazer ou conquistar, por mais trivial que pareça aos outros” e só mostre a alguém em quem confie. E não tem problema, depois de um tempo, constatar que aquele sonho caducou, não é mais sonho – faz parte do jogo revisarmos constantemente nossas metas. O desafio maior é assumir as rédeas da própria vida.

Lembram do SAR? O funcionamento da lista tem tudo a ver com ele. Vale sublinhar mais uma de suas características: esse sistema só procura coisas ligadas ao que ele foi programado para procurar e ignora o restante. Dessa maneira, as listas funcionam como faróis de lembranças, iluminando o que é imprescindível naquele momento. Alguns capítulos, inclusive, reservam um espaço para elas: “use o quadro a seguir para começar a registrar suas metas” e “faça uma lista das 10 coisas que desejaria mudar ou melhorar em si mesmo” são alguns exemplos.

A dica dos autores é sempre fazê-las à mão. Eles se apoiam nas pesquisas da Dra. Gail Matthews, professora de Psicologia da Universidade Dominicana da Califórnia, que constatou que a probabilidade de atingir as metas é 42% maior quando elas são escritas dessa maneira. Esse, portanto, é o primeiro passo. Mas não se esqueça do SAR. “Quando decidir exatamente o que quer fazer, ter ou se tornar, seu SAR começará a buscar como conseguir. Assim que puser a ideia na cabeça, você começará a ver, ler e ouvir coisas sobre ela. É simples assim. Mas pouquíssimas pessoas fazem isso”, ressaltam.

 

Planos e metas, sem medo

Segundo os autores, parte do segredo em alcançar as metas está relacionada à capacidade de imaginá-las: “Se você pode se imaginar como um multimilionário, é porque tem como atingir esse status. Se consegue se ver pulando de bungee-jump num rio caudaloso, seu corpo pode pular. Se é capaz de se imaginar falando com confiança a um público de 20 mil pessoas, então tem dentro de si o suficiente para fazer isso”. Há uma jornada a ser vivida intensamente entre sonhos possíveis, portanto você não deve se concentrar em apenas uma meta, fechando-se para outras oportunidades. Experimente uma lista com no mínimo 10. “Se uma não for atingida, você ainda terá nove outras e continuará com o pensamento positivo”, eles reforçam.

O caminho que nos leva do desejo à realização tem obstáculos e reviravoltas. Ao longo de mais de 200 páginas do livro, Allan e Barbara destacam conselhos para aqueles que estão decididos a mudar de vida e a conhecer melhor as regras desse jogo. Abaixo, alguns exemplos:

 

Prazo

“Quando ficar estressado, preocupado ou deprimido com alguma coisa na vida e seus pensamentos negativos se tornarem um hábito, dê a si mesmo um prazo para superá-los. Decida que, a partir de uma hora ou dia específico, você não pensará negativamente sobre o que lhe aconteceu. Decida pensar apenas no que você quer (…) Um sonho não passa de sonho até que lhe damos um prazo”.

 

Fracasso

“O fracasso é uma parte importante do sucesso, e poucas pessoas foram bem-sucedidas em alguma coisa sem antes fracassar várias vezes. Os vencedores não são os que nunca fracassaram, mas aqueles que nunca desistem. Se desistir cedo demais, você nunca saberá o que perdeu. Qualquer erro cometido simplesmente o ajuda a aprender o jeito certo de fazer as coisas funcionarem”.

 

Escolhas

“Tudo o que você tem na vida tem origem nas escolhas que faz. As escolhas do passado são as razões da situação em que se encontra agora, seja ela positiva ou negativa. E agora é você, só você, o responsável por todas as decisões que tomar e todas as direções em que decidir avançar. Pensar de outro modo é se recusar a assumir a responsabilidade por sua vida”.

 

Visualização

“Suas metas, ideias e pensamentos devem ser vivos e precisos a ponto de você ser capaz de descrever cada detalhe. Você deveria ver não só suas metas, mas também cada passo que dará para alcançá-las. E para conseguir esse tipo de pensamento cristalino deve usar o processo de visualização (…) É importantíssimo ter uma imagem clara e positiva do que você almeja e de onde estará quando cumprir sua meta. Visualize o resultado com frequência, repetidas vezes, e sua mente começará a reconhecê-lo como normal, aceitável e passível de ser conquistado”.

 

Hábitos

“Adquirir intencionalmente os hábitos dos bem-sucedidos levará você ao sucesso que deseja. Agarrar-se a hábitos não produtivos é um obstáculo que o impede de avançar. Seu eventual sucesso com qualquer iniciativa – ou a falta dele – será controlado pelos pensamentos e atitudes habituais que você aprendeu”.

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