Segurança x Paixão: qual caminho você escolheu seguir?

27 de setembro de 2017 | por Filipe Isensee

“Os dois dias mais importantes da sua vida são o dia que você nasce e o dia em que descobre porquê”.

A frase do escritor norte-americano Mark Twain traduz a eletricidade contagiante que Eu sou as escolhas que faço quer transmitir aos seus leitores. Não por acaso, está estrategicamente colocada na página 74, no meio dessa escrita colorida sobre a necessidade de se desvencilhar da agonia de viver dos outros e encontrar um “eu” para chamar de seu. Um você, caro leitor.  Para desbravar o mundo, desbrave-se a si mesmo. Parece simples?

Você provavelmente não escolheu seu nome, tampouco seus padrinhos; também não escolheu ter (ou não ter) pais e irmãos; há grandes chances de não ter escolhido a escola onde iniciou seus estudos; você também não escolheu a cidade onde nasceu; por algum tempo, até as roupas que você vestia eram escolhidas por outras pessoas. Mas chega um momento em que você passa a fazer escolhas, mesmo aquelas auxiliadas pela experiência de um ou pela irresponsabilidade de outro. As faíscas de maturidade começam a nascer desse confronto. De repente, você se dá conta que é pequeno num mundo que é grande e precisa tomar decisões que extrapolam a burocracia cotidiana. Entre essas escolhas, está o “eu” que você é e o “eu” que você quer ser.  Uma encruzilhada.

 

Ser ou não ser, eis a questão?

Elle Luna, autora do livro, estabelece essa encruzilhada a partir do conflito entre seguir o caminho da segurança ou o da paixão. O primeiro se refere à expectativa dos outros sobre nós. “Quando escolhemos essa opção, optamos viver por alguém ou por algo, mas não por nós mesmos”, ela ressalta.  O segundo conversa com nossos desejos, com aquilo que alimenta nossa alma. Obviamente, Luna engatilha suas palavras, costuradas como resultado de sua experiência, rumo aos benefícios de se viver a vida como sonhamos vivê-la. Embora ela classifique essa opção como uma “viagem sem garantias”, é certo que não se trata apenas de largar tudo e ir rumo ao desconhecido que é o próximo instante.

Ela ensina: “Se você desejar viver sua vida com plenitude – se desejar ser livre -, primeiro precisa entender por que não está livre”. A investigação que se deve fazer é dentro dos escombros e dos cárceres que cada um de nós carregamos – o processo de autoconhecimento é ininterrupto. O livro instiga, inspira e estimula, mas essa busca interna é algo que só pode ser feito por você, o descobridor real de si. “Quando você examina suas amarras, faz a escolha consciente de conhecer sua prisão – as expectativas dos outros, os sistemas de crenças em que está inserido mas com os quais não concorda, e todas as coisas que aceitou fazer sem se dar conta”, conclui.

 

A pessoa é para o que nasce

As escolhas que nos movem de onde estamos para onde queremos estar são delicadas. O intervalo entre um e outro é o mistério, condicionado sempre ao imponderável. Velhas dúvidas são substituídas por novas; antigas certezas ficam pelo caminho. O caminho é você, do princípio ao fim, passando pelo meio. Não se trata de uma jornada narcisista. Ao contrário. Compreender a si mesmo – as fraquezas e os medos – é essencial ao olhar os outros (e o sonho dos outros) com menos julgamento e mais empatia.

Embora o convite para tomar as rédeas da paixão e seguir com ela, dia após dia, seja tentador, muitos se debatem em torno de uma questão anterior: E se eu não souber qual é a minha paixão? Luna propõe ações curiosas, entre elas: “ligue para sua mãe”. Você pode substituir mãe por qualquer figura importante da sua infância – o objetivo é reencontrar a criança que você foi um dia, com seus primeiros impulsos e desejos. Outra iniciativa é escrever duas versões do seu obituário: “Pense em como sua vida vai progredir se continuar como está. Depois considere o que você escreveria se passasse a viver de acordo com suas verdadeiras paixões”.

Aqui, mais uma vez, as duas pontas da vida se fazem presente. Entre o início e o fim, está você. Mas como sustenta o escritor Roger Lipsey, também citado no livro, “Não basta alcançar o tesouro, é preciso levá-lo para casa”.

Já pensou como você gostaria de ser lembrado?

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