A Boa Sorte

25 de setembro de 2017 | por Editora Sextante

O desafio de Merlin

Há muitos e muitos anos, em um reino muito distante, um mago chamado Merlin reuniu nos jardins do castelo real todos os cavaleiros do lugar e lhes disse:

– Já faz tempo que muitos de vocês me pedem um desafio. Alguns sugeriram a organização de um torneio entre todos os cavaleiros do reino. Outros mencionaram um concurso de destreza com a lança e a espada. Vou, no entanto, propor-lhes algo diferente.

A expectativa era enorme. Merlin continuou:

– Soube que, dentro de sete luas, vai nascer em nosso reino o Trevo Mágico.

Houve então uma comoção, murmúrios e exclamações entre os cavaleiros. Alguns já sabiam do que se tratava; outros, não. Merlin impôs ordem na assembleia.

– Calma, calma! Deixem-me explicar o que é o Trevo Mágico. É um trevo de quatro folhas único, que dá a quem o possui um poder igualmente único: a sorte sem limites. Sem limite de tempo nem de espaço. Proporciona sorte no combate, sorte no comércio, sorte no amor, sorte na riqueza… sorte ilimitada!

Os cavaleiros recomeçaram a falar entre si com grande entusiasmo. Todos queriam encontrar o Trevo Mágico de Quatro Folhas. Alguns chegaram a ficar de pé e começaram a emitir gritos de vitória e fazer invocações aos deuses.

Merlin, novamente, conseguiu aplacar o tumulto e retomar a palavra:

– Silêncio! Ainda não lhes disse tudo. O Trevo Mágico de Quatro Folhas nascerá no Bosque Encantado, para além das 12 colinas, atrás do Vale do Esquecimento. Não sei onde ele nascerá exatamente, mas sei que será em algum lugar do bosque.

Aquela empolgação inicial veio abaixo. Primeiro fez-se um silêncio e, em seguida, os suspiros de desânimo soaram por todo o jardim. Afinal, o Bosque Encantado era tão extenso quanto toda a parte habitada do reino. Eram milhares de hectares de mata densa e cerrada. Como encontrar um minúsculo trevo de quatro folhas naquele espaço imenso? Teria sido cem mil vezes mais fácil procurar uma agulha no palheiro! Pelo menos, isso seria um desafio possível.

Diante da dificuldade da empreitada, a maioria dos cavaleiros foi abandonando o castelo real, murmurando queixas e lançando olhares de desaprovação a Merlin ao passar por ele:

– Avise-me quando tiver um desafio que possa ser vencido – disse um.

– Se eu soubesse que se tratava disso, não teria me dado o trabalho de vir aqui – reclamou outro.

– Que desafio! Por que não nos envia a um deserto para encontrar um grão de areia azul? Seria mais fácil! – alfinetou outro, com ironia.

Um a um, os cavaleiros deixaram o jardim, atravessando as dependências do castelo para voltarem a seus cavalos.

Somente dois permaneceram.

– E então? – perguntou Merlin. – Vocês também não vão embora?

Um deles, que se chamava Nott e usava uma capa preta, disse:

– Não há dúvida que é difícil. O Bosque Encantado é enorme. Sei, porém, a quem perguntar. Acho que posso encontrar o trevo de que você fala. Vou buscar o Trevo Mágico de Quatro Folhas. Esse trevo será meu.

O outro, que se chamava Sid e usava uma capa branca, permaneceu em silêncio até que Merlin lhe dirigiu um olhar questionador. Ele então disse:

– Se você diz que o Trevo Mágico de Quatro Folhas, o trevo da sorte ilimitada, vai nascer no bosque, é porque assim será. Acredito em sua palavra. Por isso irei até lá.

Assim, ambos os cavaleiros partiram em direção ao Bosque Encantado. Nott em seu cavalo negro, Sid em seu cavalo branco.

 

SEGUNDA REGRA DA BOA SORTE

Muitos são os que querem ter a Boa Sorte, mas poucos são os que decidem buscá-la.