As lições de Sri Prem Baba

24 de agosto de 2017 | por Filipe Isensee

Durante uma breve passagem pela Chapada dos Veadeiros – um bálsamo do cerrado localizado em Goiás, de misticismo latente e cachoeiras abundantes -, ouvi falar algumas vezes sobre o líder espiritual Sri Prem Baba. Até então sabia pouca coisa sobre ele, embora o movimento global Awaken Love, do qual é fundador, me soasse familiar. Garçonete do simpático Bistrô Vinil, em Alto Paraíso, Heloísa contou que o guru passava uma temporada na cidade, a mais desenvolvida entre as que compõem a Chapada. Na vizinha Cavalcante, Adriana – uma jornalista paulistana que largou tudo para abrir um café no município – explicou que a chegada de Sri Prem Baba renovou o interesse na região, extrapolando o horizonte verdejante, entrecortado por rios, ímã natural para turistas. Os aventureiros que vinham ao encontro dele buscavam conforto espiritual e autoconhecimento. O ritual, como disseram, é comum em cada canto onde ele se instala.

Na foto, um homem pardo, de volumosa barba branca, com calvície sugerida por grandes entradas próximas à testa, mas interrompida pelo cabelo ondulado que desce até o ombro. As roupas são claras e o sorriso está serenamente presente no rosto. Esse é Sri Prem Baba, de 51 anos, nascido em São Paulo, pai de uma adolescente. Antes, Janderson Fernandes, como fora batizado na igreja católica. No vídeo de apresentação do seu trabalho publicado no YouTube, com mais de 36 mil visualizações, ele fala em ajudar a entender os mistérios da existência e a buscar respostas para os enigmas da vida, sendo esses também os fios condutores de livros como Transformando o sofrimento em alegria e Propósito – as ideias desses dois títulos serão detalhadas em textos posteriores.

É sempre curioso notar o momento decisivo – certamente construído a partir de muitos outros momentos –, quando alguém se descola da sua realidade habitual, investiga-se e desfia respostas do emaranhado de mistério no qual estamos imersos. O fato de muitas dessas lições de vida terem sensibilizado tantas pessoas é igualmente fascinante.

Em seus relatos, Prem Baba – ou Pai do Amor – atribui à avó materna, uma médium de cura, a descoberta de um mundo invisível e a certeza de que o espírito vigora sobre a matéria. Foram esses os primeiros gatilhos de uma busca incessante, repleta de desdobramentos e caminhos múltiplos, muitos deles sinuosos. A yoga, a psicologia e o contato com mestres orientais como Osho ajudaram a costurar um tecido sobre o qual ele desliza seus pensamentos, cuja ressonância é imediata, algo comprovado pela adesão aos cursos, retiros e oficinas que ele promove no Brasil e na Índia.

As angústias universais transformadas em perguntas – “Quem sou eu?” e “O que eu vim fazer aqui?” – fazem parte de sua leitura de vida, mas só podem ser compreendidas a partir de uma expansão da consciência, elementar para não cair nas armadilhas do ego. “E a consciência se expande através do amor. Por isso costumo dizer que o nosso trabalho enquanto seres humanos é despertar o amor, em todos os lugares”, escreve Prem Baba sobre sua missão em Propósito.

O livro Flor do dia traz uma compilação de mensagens, sínteses de pensamentos, e é uma boa introdução às ideias do mestre espiritual. Abaixo, você confere cinco lições essenciais sobre amor e autoconhecimento.

Aos interessados em conhecê-lo pessoalmente, vale conferir a agenda do guru em https://www.sriprembaba.org/agenda-eventos/

 

O avesso do amor

“É curioso ver que muitos não aprendem com suas desilusões e seus fracassos nos relacionamentos e seguem acreditando que obterão felicidades através do outro. Essa fantasia se mantém por algum tempo, enquanto cada um vive sua vida e o casal se encontra de vez em quando. Mas quando resolvem morar juntos, a verdade aparece. Logo, a relação vira um campo de batalha. Isso ocorre porque as pessoas não querem alguém para amar, elas querem alguém para satisfazer às suas necessidades e aos seus caprichos. Elas querem se tornar donas do outro. E o pior é que a grande maioria acredita que essa obsessão em possuir é amor”.

 

O eclipse das crenças e choques

“Uma das principais características do ego humano é a necessidade de ser amado exclusivamente. A criança nasce amando e, ao mesmo tempo, querendo ser amada. Então, com o passar do tempo, o amor é eclipsado por crenças e choques adquiridos, o que faz com que a necessidade de receber amor seja maior do que a de amar. A pessoa acaba se desconectando do seu núcleo interior e se conecta à superfície, às máscaras – um falso centro é criado devido à carência. Essa é a causa de grande parte daquilo que chamamos de sofrimento”.

 

Você é a sua história?

“Quem é você? Você é o seu nome, a sua história ou seu corpo? Identificado com isso que é passageiro, você está sempre girando no círculo do sofrimento. Você está sempre correndo, ou para fugir do sofrimento, ou para obter uma alegria passageira (o que é a mesma coisa). Você está sempre fazendo e sempre se sentindo insatisfeito. Mas quando se permite parar de correr, você experimenta a calma e o silêncio, você sente a fragrância da paz e da alegria sem motivo. E é somente nesse estado que as respostas para as questões mais profundas da existência surgem”.

 

Revelações da alma

Alba Soler Photography via VisualHunt / CC BY-NC-ND

“Ninguém quer sentir dor, mas às vezes é necessário abrir mão dos anestésicos e amortecedores para poder encará-la. É preciso ter coragem de lidar com a frustração daquilo com que, por alguma razão, você evita entrar em contato. Quando uma repetição negativa se torna insistente na sua vida, quer dizer que ela quer te ensinar algo que você se recusa a aprender. Nesse momento, pare e pergunte: o que você quer me ensinar? O que eu preciso aprender? Assim, aos poucos, você vai dando passagem para as revelações da sua alma”.

 

Coração versus mente

“Costumo chamar os comandos do coração de sim, e tudo o que vem da mente condicionada de não. O sim é a ação que nasce da presença, é o amor em movimento. O não nasce do passado, da agitação interna. Ele é uma forma de se defender e se proteger das possíveis ameaças da vida. O não é, portanto, uma reação. E sempre que estamos reagindo, criamos um sintoma muito fácil de ser identificado: as situações negativas e destrutivas se repetem em nossas vidas”.

TAGS: