Colocando ordem na casa: arrumação é qualidade de vida

21 de agosto de 2017 | por Filipe Isensee

Os números estão a favor de Marie Kondo, uma jovem autora japonesa cujo sorriso pintando o rosto é uma constante. Também pudera. Ao redor do mundo já foram vendidos mais de cinco milhões de exemplares de A mágica da arrumação, livro escrito por ela que promete colocar em ordem a casa e a vida de seus leitores. A proposta é instigante. O volume de vendas, igualmente, comprovando como essa tal magia se conecta aos anseios de muitos por aí.

Os pensamentos encadeados em dicas e frases da obra vão além do básico dobrar e guardar, mas não se esquivam disso. É, de certa forma, uma filosofia que se encaixa no senso-comum sobre os nipônicos, mais compactos e organizados que os irmãos ocidentais. Descrita como obcecada por arrumação, KonMari, como é chamada, já foi tema de matéria do The New York Times e convidada do programa de Ellen DeGeneres – e lá estava ela no palco, com uma tradutora a tiracolo, abraçando roupas, ora com alegria, ora com desapego, numa tentativa de exemplificar seu método.

Aos curiosos, vale espiar o Instagram da moça. As imagens postadas lá são capazes de levar ao orgasmo os que veem beleza na instantânea harmonia das coisas, todas arrumadas, ocupando a parte que lhes cabe. Mas é bom lembrar: a mágica não pressupõe objetos que se deslocam sozinhos ou que escolhem eles próprios ficarem ou serem jogados fora. O abracadabra aqui é outro.

Marie Kondo

 

Sem medo do método

“Já ajudei clientes que, sozinhos, jogaram fora 200 sacos de lixo de 45 litros em um único dia”, ela garante.

Para KonMari arrumação pode e deve ser ensinada – inclusive aos habituados às atividades domésticas – , e é isso que ela propõe no livro. Logo nas primeiras páginas, deixa claro: organizar não é o mesmo que guardar. E mais: é muito mais vantajoso arrumar tudo de uma só vez do que aos poucos. “Quando as pessoas falham é porque não conseguiram mudar de postura. A raiz do problema está no fato de que não foram capazes de enxergar os resultados nem sentir seus efeitos. É exatamente por isso que é necessário obter resultados palpáveis de imediato”, reforça a autora.

A mágica da arrumação é composto por inúmeras dicas, eventualmente pautadas num episódio vivido por KonMari, espalhadas por mais de uma centena de páginas. A leitura é bem rápida e agradável. Abaixo, você conhece melhor oito passos-ideias recomendadas. E sabem por que oito? Porque é considerado o número do equilíbrio, que abre espaço para um novo ciclo. “Sua casa nunca vai ficar organizada se você não se entregar por inteiro. O trabalho envolve basicamente ações: decidir se vai ou não jogar algo fora, e definir onde guardá-lo. Se você é capaz de fazer essas duas coisas, pode sim alcançar a perfeição”, ela explica.

 

1- Separe por categoria e não por localização

Muitas vezes objetos do mesmo tipo são guardados em lugares diferentes. Livros, por exemplo, podem estar espalhados pela casa toda. Da mesma forma, roupas não ficam restritas a um único cômodo. Agindo dessa maneira, é possível ter uma dimensão real dos itens que você possui. É o primeiro passo a fim de evitar o excesso de coisas, uma das causas da desorganização.

 

2- Descartar é preciso

É um sofrimento para os acumuladores, mas necessário. Não adianta fazer um pouquinho a cada semana, ou a cada mês. Isso só resultará num cansaço anunciado a cada nova empreitada. “O segredo é fazer uma mudança drástica e repentina a ponto de levar a uma mudança interna igualmente drástica”, KonMari ensina. Assim como no dicionário, descartar vem antes de guardar.

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3- Escolha o que faz você feliz

Todo mundo já deve ter ser debatido diante do armário aberto: jogar fora ou não jogar fora? Mas você já pensou em segurar cada item que possui e se perguntar: “isso me traz alegria?”. Pois é o que sugere KonMari. Se a resposta for sim, guarde-o. Se for não, descarte-o. Simples assim.

 

4 – O ambiente faz a diferença

Escolher entre o que fica e o que vai. Organizar, enfim. Para a autora, trata-se de uma conversa com você mesmo, um exercício de autoconhecimento comparado por ela à meditação. Se essa atividade requer certas condições de silêncio e ambiente favorável, o mesmo deve ser perseguido na hora da arrumação. “Se precisar de algum som para relaxar, escolha músicas instrumentais”, aconselha.

 

5- Todas as roupas no chão

Procure tudo que você tem – até mesmo o que está nos cestos e escondido numa gaveta. KonMari costuma dizer a seus clientes que qualquer item encontrado depois será imediatamente descartado. A proposta é avaliar peça por peça. O ideal é começar pelas roupas de estações seguintes: “Será que vou usar isso novamente?”. Na dúvida, desapegue.

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6- Bom mesmo é na vertical

A melhor maneira de arrumar as roupas é colocá-las na vertical. Assim, você consegue ver todos os itens sem nenhuma dificuldade. E não se preocupe com os vincos, já que eles são causados pela pressão das roupas empilhadas. No Youtube, há muitos vídeos com pessoas que testaram e seguem o método KonMari, com recomendações de como dobrar itens diferentes.

 

7- Organização na cozinha e no banheiro 

O raciocínio é simples e prescinde da pergunta: estou usando tudo que está espalhado no box? O que não é utilizado deve ser guardado longe do banheiro. Com apenas os itens mais importantes, certamente ficará mais fácil a limpeza. KonMari também não recomenda o uso das cestinhas com mil e uma coisas dentro – o segredo não muda: descartar e guardar. O mesmo é recomendado para a cozinha. Não deixe os condimentos na bancada, próximos ao fogão, expostos. Faça bom uso da gaveta ou do armário ao lado.

@a_listbyalisha

 

8- Elimine o excesso de informação visual

Uma dica para os que estão avançados na organização. É o polimento: livre-se das etiquetas das roupas, dos adesivos usados para organizar, dos plásticos que cobrem as coisas sem necessidade, dos embrulhos camuflando objetos, mesmo os que estão na gaveta. “Ao eliminar o excesso de informação visual, você deixa o ambiente mais tranquilo e confortável. A diferença é tão impressionante que seria uma pena não tentar”, ela sustenta.

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