As novelas que marcaram a TV brasileira

11 de agosto de 2017 | por Isabella Farias

Não é só pelo futebol que o Brasil é reconhecido no exterior. Se tem algo que podemos ter orgulho é das nossas novelas.

No livro 101 atrações de TV que sintonizaram o Brasil, a jornalista Patrícia Kogut selecionou algumas delas que marcaram a história da televisão.

 

Selva de pedra

Primeira novela brasileira a cravar 100% de share – percentual de televisores ligados no canal, segundo medição do Ibope –, Selva de pedra, exibida entre abril de 1972 e janeiro de 1973 pela TV Globo, seduziu o país com uma história de amor, traição, crimes e suspense.

Estrelada por Regina Duarte e Francisco Cuoco – em seu primeiro papel de protagonista no horário nobre –, consagrou Janete Clair como a grande autora popular que continuaria a brilhar nos anos seguintes.

 

O Bem-Amado

Primeira novela em cores da TV brasileira, exibida pela Globo entre janeiro e outubro de 1973, O Bem-Amado é uma adaptação de Dias Gomes de sua peça de teatro Odorico, o Bem-Amado e os mistérios do amor e da morte, de 1962.

Escrava Isaura

Quando leu as primeiras páginas de Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, Gilberto Braga imediatamente soube que estava diante de uma história espetacular para ser adaptada ao formato de novela.

Lançada em 1976, a novela foi um sucesso imediato e duradouro: dados consolidados pela TV Globo em janeiro de 2016 mostram que Escrava Isaura era o quinto entre os programas mais vendidos ao exterior pela emissora, com 104 países licenciados para exibição. Durante décadas ela liderou esse ranking.

 

Roque Santeiro

A primeira versão de Roque Santeiro, de 1975, teve 36 capítulos gravados com Betty Faria, Lima Duarte e Francisco Cuoco como protagonistas. Mas a Censura Federal vetou a trama e a Globo teve que criar a substituta, Pecado capital, às pressas. Enquanto ela estava sendo produzida, a emissora exibiu um compacto de Selva de pedra. Só dez anos mais tarde, em junho de 1985, a trama de Dias Gomes e Aguinaldo Silva dirigida por Paulo Ubiratan saiu da gaveta para se tornar um dos maiores sucessos da história da televisão brasileira com todos os méritos.

 

Vale tudo

A história de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, dirigida por Dennis Carvalho e exibida entre maio de 1988 e janeiro de 1989 na TV Globo, levou a uma nação praticamente recém-saída da ditadura temas incômodos como corrupção, cinismo e falta de ética.

A famosa banana que o empresário Marco Aurélio (Reginaldo Faria) dava para o país, ao fugir de avião no último capítulo, resumiam com perfeição o espírito da história, mas Vale tudo será sempre lembrada por um dos crimes de maior repercussão na história das telenovelas: “Quem matou Odete Roitman?”.

 

Pantanal

A câmera que se demorava nos intermináveis banhos de rio de Juma Marruá seminua em Pantanal fez com que o público se transferisse em peso, em 1990, para a TV Manchete. Esse sucesso estrondoso levou a emissora a liderar a audiência e vencer a TV Globo com folga.

Escrita por Benedito Ruy Barbosa e dirigida por Jayme Monjardim, a trama foi a primeira ambientada no Pantanal.

 

Avenida Brasil

Lançada em março de 2012, com as emissoras abertas já concorrendo com a TV por assinatura, Avenida Brasil reacendeu um fenômeno que andava esquecido: o das novelas que “param o país”. No último capítulo, em 19 de novembro, as ruas ficaram vazias. A população grudou na TV para saber quem havia matado Max (Marcello Novaes), mas não só isso: era a despedida de alguns dos personagens mais queridos da história recente da teledramaturgia.

Como tinha feito em A favorita, em 2008, João Emanuel Carneiro promoveu uma virada no meio da história. Era o Capitão Gancho – apelido que ganhara durante aquela novela graças à sua habilidade com a narrativa serializada e à concentração de adrenalina por capítulo – em plena forma.

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