Planeje, comprometa-se e seja feliz

25 de julho de 2017 | por André Sequeira

Ronaldo é casado, tem dois filhos e trabalha como mestre de obras. Mora de aluguel e recebe, no fim do mês, cerca de 3 salários mínimos como pagamento. Sua esposa, Noemi, dá expediente num salão como manicure e ganha somente comissão. Os rebentos têm quatro e seis anos e estudam em uma escola pública do bairro. Em quase todos os meses, Ronaldo fecha o mês em cima do laço, sem sobra alguma no orçamento.

Carlos é diretor de uma empresa de petróleo, pai de três filhos – 12, oito e cinco anos –, e sua esposa é dona de casa. Todos os descendentes estudam em colégio particular, cursam escola de idiomas e fazem atividade física paga. Carlos possui apartamento próprio num bairro chique, dois carros na garagem e viaja para o exterior, pelo menos, uma vez ao ano. Para ele, gastar não é um problema.

Lúcia é uma mulher independente de 38 anos. Optou por não ter filhos e, apesar de não ter nada contra, não teve ainda a oportunidade de se casar. No momento, sua prioridade é o trabalho. O salário é de mais de duzentos mil reais por ano, tem apartamento próprio, carro chique e roupas das mais importantes grifes do mercado. Viaja ao redor do planeta duas vezes por ano e sustenta os pais, aposentados pelo Estado. Diz que, em breve, começará a pensar em sua poupança para aposentadoria.

Aparentemente, os três personagens não tem nada em comum. Contudo, ao analisar suas finanças e traçar uma previsão para cada uma delas, nota-se que eles seguem o mesmo caminho: o atolamento em dívidas.

Ronaldo é humilde e vive dentro de suas possibilidades. Por outro lado, por estar apertado, qualquer eventualidade o faz ficar no vermelho. Fora isso, como a esposa vive de comissão, é impossível prever os ganhos a cada trinta dias.

Carlos ganha bem, mas tem despesas enormes no fim do mês. Seu salário, apesar de pomposo, é sempre o mesmo. Já os gastos correntes variam: festas, viagens, médicos, carros mais novos e mais caros, custo dos filhos, entre muitos outros fatores.

Já Lúcia, apesar do contra-cheque invejável, recusa-se a pensar no futuro. Como seu dia a dia é caro, inclusive com as despesas com os pais, como ficaria sua vida se perdesse o emprego? Ou se ficasse doente e tivesse que ser afastada da empresa? E se tudo der certo, mas não sobrar dinheiro suficiente para manter o mesmo padrão de vida após a aposentadoria?

Qual a similaridade entre eles? Falta de planejamento. Ronaldo, Carlos e Lúcia recusam-se a pensar no futuro. Ao viver apenas no presente, deixam de lado eventuais contratempos que possam surgir.

E você, ao ler as histórias acima, está tranquilo quanto à sua realidade? Se sim, sinta-se um afortunado. Se não, comece a refletir a respeito do que vem fazendo com a própria vida.

Quando falamos de administração financeira pessoal, logo vem à cabeça controle de gastos e pagamento de contas. Certo?

Acima de tudo, o importante é analisar a relação das receitas (o que você ganha) e das despesas (o que você gasta), e planejar como sobreviver a ponto de ter uma folga, mínima que seja, no fim do mês. Em finanças, tenha foco no planejamento. Ao transpor esta etapa, você começará a ter um controle sobre o orçamento pessoal. Repare: planejar e viver de acordo com o que ganha não é exclusividade dos considerados ricos. Com preparação e controle, mesmo trabalhadores menos abastados, como Ronaldo, terão a vida mais fácil e menos estressante. Até porque, se não for você mesmo, não será seu empregador que vai garantir seu futuro.

As preocupações financeiras, obviamente, são inerentes à vida de todos. O que precisamos tentar é torná-las não um fardo, mas algo natural de nosso cotidiano, como comer, passear e trabalhar. Para isso, estabeleça um compromisso, talvez o conceito mais importante neste assunto. Como numa dieta, sem um comprometimento não há planejamento que resista. Estipule quanto pode gastar por mês e mantenha-se fiel a isso. Novamente, utilizando um regime como parâmetro, se você pode comer até X calorias por dia, não ultrapasse esta marca. Caso contrário, seu castelo de cartas começará a ruir.

“As pessoas não enriquecem porque não fazem planos, ou porque os fazem mas não os executam.” (Gustavo Cerbasi, em Dinheiro: Os segredos de quem tem)

Além de planejar e se comprometer, diversos especialistas, com destaque para Gustavo Cerbasi, talvez o maior em finanças pessoais no Brasil, garantem ser essencial a felicidade. Quando dissertam sobre o tema, o primeiro dogma a ser negado é o de que os bens materiais trazem felicidade. Besteira!

A ganância humana não tem limites, por isso, a aquisição material nunca terá fim e nunca saciará a vontade de ninguém. Se uma pessoa tem um carro, provavelmente vai querer um mais caro. Se tem uma casa, uma maior será o objetivo. Ter bens não será nunca sinônimo de alegria. Esta só virá, sim, com a tranquilidade financeira, que existe tanto para quem ganha um milhão para quem ganha mil reais. A verdadeira riqueza não depende de quanto cada um recebe ao final de cada trinta dias, mas de quanto gasta ou do que faz com aquilo que ganha. E, para conseguir esta tão sonhada riqueza, é necessário seguir um planejamento e, provavelmente, passar para alguns sacrifícios. Sempre com comprometimento e certeza de que está realizando tudo de forma consciente.

TAGS: