Descubra como desenvolver vantagens estratégicas no mercado de trabalho

21 de julho de 2017 | por André Sequeira

Anos atrás, as gerações eram identificadas somente pela década de nascimento: “essa menina é dos anos 70” ou “um típico garoto da geração de 60”. Depois, apesar de as denominações serem antigas, passamos a utilizar apenas as letras. Assim surgiu a geração X, formada pelos nascidos depois do baby boom pós-Segunda Guerra Mundial, ou seja, entre 1960 e fim dos anos 1970.

Em seguida, veio a geração Y, que abrange os nascidos do começo da década de 1980 a meados dos anos 1990, também conhecidos como millennials. E agora é a vez da geração Z, nascida dos anos 1990 até 2010. Essa é a “geração internet”, que domina toda a tecnologia amplamente disseminada, a mais antenada e atualizada. Inconformistas por natureza, como diria Adam Grant em seu livro Originais.

Por outro lado, este grupo, que está saindo da faculdade agora e entrando no primeiro emprego, vem demonstrando enormes dificuldades de relacionamento no ambiente de trabalho. Muitos executivos e gerentes os consideram indisciplinados, preguiçosos, reclusos, rebeldes ou desinteressados pelo que os rodeia. Resumindo: para estes líderes, o que falta, na verdade, são as habilidades interpessoais, conjunto de características que formam a capacidade de se relacionar bem com as outras pessoas.

As habilidades interpessoais são vistas hoje como tão ou mais importantes do que as técnicas. Segundo Bruce Tulgan, autor do recém-lançado O que todo jovem talento precisa aprender, elas “consistem acima de tudo em adequação – esforçar-se para adaptar posturas e comportamentos a padrões de conduta preestabelecidos –, no intuito de se envolver e trabalhar em equipe e de forma eficaz com outras pessoas num empreendimento em comum”.

Em sua pesquisa ele questionou diversos profissionais sobre que características eles mais desejavam ver em seus funcionários da geração Z. As três mais citadas foram: profissionalismo, pensamento crítico e capacidade de seguir uma liderança. Resultado claro de uma criação superprotetora e sem limites.

Muitos dos problemas são oriundos do boom tecnológico com que eles convivem. Videogames, smartphones, internet, TV a cabo, entre muitas outras tecnologias. A similaridade? Não há necessidade de interação. O jovem faz tudo sozinho, do jeito que quer e quando quer.

A clássica desse grupo é achar-se protagonista na sua vida. Desde cedo, foram educados por pais e professores que sempre permitiram que se sentissem especiais e únicos, aqueles que podem tudo. Além disso, são superprotegidos por genitores que deram duro na vida e fazem de tudo para blindar sua prole. Consequência: não aprenderam a perder, a sofrer. Passam pela infância e adolescência considerando-se imbatíveis e superpoderosos, com uma única dúvida: “Que papel as pessoas do mundo vão desempenhar em cada capítulo da minha vida?”

E, desta forma, formam-se no colégio e na faculdade, realizam MBA no Brasil ou no exterior, aprendem mais de dois idiomas e tornam-se, tecnicamente, profissionais espetaculares. Contudo, com a falta de habilidades interpessoais, acabam sendo demitidos com o tempo ou estagnando na carreira. Quanto a isso, Bruce Tulgan é taxativo: “Existe uma lacuna cada vez maior entre as expectativas dos empregadores e a realidade de como os novos talentos do mercado se apresentam no local de trabalho. […] Cada vez mais faltam a eles os velhos fundamentos, as habilidades interpessoais, não técnicas.”

Para mudar a situação, é fundamental adequar novos pensamentos e novas posturas – por exemplo, saber que o sucesso não vem em um ou dois anos; que o respeito à hierarquia é importante; que fracassar faz parte e que as críticas e cobranças virão; que compartilhar e interagir é passo importante rumo aos maiores sonhos.

Nesta jornada de empoderamento pessoal, Bruce Tulgan, autor também de Não tenha medo de ser chefe e Não tenha medo de gerenciar seu chefe tem tudo para tornar-se livro de cabeceira de todos. O que todo jovem talento precisa aprender é um guia de referência gerado a partir de diversos estudos de caso, de boas práticas e de métodos de ensino utilizados em organizações e por gestores que levaram jovens profissionais a aprimorar as próprias habilidades interpessoais no ambiente de trabalho. O mapa do tesouro para que todos possam se tornar profissionais eficazes e bem-sucedidos.

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