Cinco curiosidades sobre Deltan Dallagnol e a Operação Lava-Jato

3 de julho de 2017 | por André Sequeira

Harvard e a luta contra o desânimo profissional

Num momento decisivo de sua carreira, ao lutar contra o desânimo com os fracassos diante da realidade penal brasileira, Deltan resolveu mudar de estratégia. Segundo ele, não bastava mudar o sistema de dentro, mas atuar fora dele por meio de propostas e de reformas. Para isso, estudou em Harvard, nos Estados Unidos, país onde a Justiça Criminal funciona muito melhor e que, mesmo assim, protege os direitos humanos. Lá, políticos não têm foro privilegiado e são julgados como qualquer cidadão.

 

Uma viagem de surfe poderia ter mudado o destino de Deltan Dallagnol

No fim de fevereiro de 2014, a coordenadora da área criminal do Ministério Público no Paraná, Letícia Martello, bateu à porta do gabinete de Deltan e perguntou se ele topava assumir o caso que originaria a Lava-Jato. A primeira resposta foi “não”, pois ele imaginava que não seria permitida a criação de uma força tarefa – algo raríssimo e necessário neste caso – e a investigação já caminhava há anos sem progressos. Além disso, estava com uma viagem de férias marcada com os amigos na época em que a operação seria deflagrada. Contudo, sua companheira confirmou a liberação desta força tarefa. Dessa vez, o procurador não titubeou:
– Sim, eu topo. Com uma força-tarefa, eu estou nesse barco.

 

O nome Lava-Jato

A investigação que originou a a operação começou com um inquérito sobre lavagem de dinheiro. Suspeitava-se que um investimento de pouco mais de um milhão de reais feito na empresa Dunel, localizada em Londrina, no Paraná, havia sido realizado para lavar dinheiro sujo. A localização dessa empresa acabou determinando que as investigações aconteceriam na Vara Especializada em Crimes Financeiros e de Lavagem de Dinheiro em que atuava o juiz Sergio Moro, em Curitiba. O dinheiro injetado na Dunel veio de algumas outras companhias, sendo uma delas localizada em um posto de gasolina em Brasília. O nome foi uma referência ao serviço de limpeza de automóveis que costuma ser prestado nestes locais.

 

O ponto de virada da Lava Jato

Segundo Dallagnol, este marco ocorreu no dia 14 de novembro de 2014, quando foi deflagrada a 7ª fase da operação, chamada de Juízo Final. Nesta data, grandes empresários e executivos de oito gigantes da construção enfileiraram-se rumo à prisão. A soma do faturamento dessas companhias ultrapassava 24 bilhões de reais em 2013. Se fosse incluída a Odebrecht, que tinha apenas sido alvo de busca e apreensão, a cifra chegaria a 35 bilhões. Certamente, um divisor de águas no combate à corrupção no Brasil.

 

Penas para crimes de colarinho branco é convite à impunidade

Hoje, a punição por corrupção prevista na lei brasileira varia entre 2 e 12 anos, mas no caso de episódios de colarinho branco, ela fica perto do mínimo legal, que dificilmente passa de quarto anos. Se condenado a este período, o réu pode substituir o tempo na cadeia por punições alternativas, como doação de cestas básicas e prestação de serviços comunitários.

 

Conheça A luta contra a corrupção:

TAGS: