O poder da presença: como pequenas mudanças podem te ajudar em momentos de alta pressão e melhorar sua vida

25 de junho de 2017 | por Caio Soares

É a chance que você estava esperando. Você entra em uma sala para participar de uma entrevista de emprego, dar uma apresentação ou fazer uma prova. Na teoria, você vai tirar de letra qualquer desafio que aparecer na sua frente: você possui as credenciais, ensaiou o que precisa fazer, domina o conteúdo com maestria. Porém, quando chega o momento de brilhar, seu corpo e sua mente entram em uma espiral de pânico, ansiedade e questionamentos que te deixam na berlinda. Você deixa a sala cheio de arrependimento, sabendo que você não fez o melhor que podia.

Dominar a autocrítica e perceber que uma mudança de postura permite que o desenvolvimento do seu “verdadeiro eu” é um dos pilares do trabalho da psicóloga Amy Cuddy em O poder da presença. Para a autora, o segredo está em perceber que a chave do sucesso em situações desafiadoras é experimentar o fracasso sem arrependimentos e se sentir satisfeito que você fez o melhor que pode.

“Antes de sequer alcançarmos a soleira de uma oportunidade, estamos cheios de medo e ansiedade, antecipando problemas de um futuro que ainda não aconteceu. Quando adentramos uma situação de alta pressão nesse estado de espírito, estamos condenados a sair de lá arrasados. Ter uma presença não é algo que lhe dá habilidades ou talentos que você não possui, mas que ajuda a compartilhar aqueles que você tem. Não o torna mais inteligente ou mais bem informado, mas o deixa mais resistente e aberto. Não muda quem você é, mas permite que você seja quem é. Desenvolver a presença não tem a ver com carisma ou extroversão. Significa conectar-nos honesta e poderosamente com nós mesmos”, diz a autora.

Porém, como não se importar tanto com o que pensam sobre você, e como não deixar se abater com essas opiniões ou com comportamentos alheios que divergem do seu modo de pensar? Em O poder da presença, Amy revela que a transformação da mente parte de uma simples mudança de comportamento e nos ensina técnicas para superar o medo em momentos de alta pressão e melhorar nosso desempenho.

“O que derruba a confiança da maioria das pessoas é a meta-análise que fazemos dos outros; ou seja, tentamos descobrir o que as pessoas estão achando de nosso comportamento. Isso é fatal. Quando a síndrome do impostor ataca, tudo o que preparamos cai por água abaixo e nossas funções cognitivas ficam prejudicadas A presença é o estado de sintonia com nossos reais pensamentos, sentimentos, valores e potencial, bem como a capacidade de expressá-los confortavelmente. Quando nos sentimos presentes, tudo se alinha: a fala, as expressões faciais, as posturas e os movimentos”, escreve.

No livro, Amy desenvolve ainda mais fundo a pesquisa que apresenta em sua popular palestra no TED onde explica como tirar proveito da linguagem corporal para ganhar segurança e passar uma imagem positiva, mesmo quando não nos sentimos tão confiantes assim, e o impacto que isso pode ter em nossas chances de sucesso. Amy descreve algumas estratégias que considera importantes para o desenvolvimento da segurança pessoal e passar uma imagem positiva.

Você não está sozinho

Na próxima vez que se deparar com uma dessas situações tensas, imagine que a enfrenta com confiança e entusiasmo em vez de dúvida e temor. Imagine-se cheio de energia e à vontade enquanto está ali, livre de seus medos de como os outros poderiam estar julgando você. E imagine que vai embora depois sem arrependimento, satisfeito por ter dado o melhor de si, independentemente do resultado mensurável. Para Amy, este é o grande segredo para combater a famosa “síndrome do impostor”. “Se todos soubéssemos quantas pessoas se sentem impostoras, teríamos de concluir que somos todos impostores e não sabemos o que estamos fazendo ou nossas autoavaliações estão equivocadas. Emocionalmente, carregar esses temores secretos achando que ninguém mais sente o mesmo apenas nos oprime ainda mais”, comenta. “Sempre haverá novos desafios, novas situações incômodas, novos papéis que nos desequilibram e alimentam nossa ansiedade, forçando-nos a reexaminar quem somos e como podemos nos conectar com os outros. Para estarmos presentes, precisamos tratar esses desafios como momentos. Presença não é tudo ou nada. Às vezes nós a perdemos e temos de recomeçar, e isso é normal”.

Troque a impotência pelo poder

Se a sensação de impotência nos inibe, nos esgota e sabota nosso desempenho, também é verdade que se sentir poderoso faz o inverso. Porém, muitas pessoas têm uma concepção negativa do poder. “Um conjunto crescente de pesquisas sugere que o poder é um escudo contra emoções negativas – aparentemente ele nos deixa menos sensíveis a julgamentos, rejeição, tensão e até dor física”, escreve Amy. Com base em diversos estudos e pesquisas, Amy mostra que o aumenta o nível de criatividade das pessoas, influenciando na tomada de decisões estratégias, criando uma maior independência e resistência a pressões e expectativas externas. “O poder pessoal nos aproxima dos nossos melhores eus, enquanto a ausência dele distorce e obscurece nossos eus. O caminho para o poder pessoal é também o caminho para a presença. É assim que nós, e os outros, descobrimos e libertamos quem realmente somos”, conclui.

Pequenos ajustes levam a grandes mudanças

Todo começo de ano é a mesma coisa: resoluções de uma nova vida, mudanças na alimentação, no cuidado com o corpo ou na forma como encara suas finanças. Pare para pensar: qual foi a última vez que uma resolução de ano-novo deu certo para você? Amy garante que metas grandiosas e ambiciosas demais são envoltas em armadilhas psicológicas que conspiram contra nós. Por isso, o segredo não está em uma mudança drástica, e sim em pequenos estímulos, que ela classifica como autocutucões. “Quando nos vemos fazendo algo com coragem ou competência uma vez, podemos recordar essa experiência na próxima ocasião em que enfrentarmos um desafio semelhante, facilitando um bom desempenho na segunda vez, na terceira e assim por diante. A sensação de poder e eficiência se fortalece, nossa sensação de merecimento aumenta e nossa capacidade de estar presentes, e não preocupados, melhora”.

Na próxima vez que se deparar com uma dessas situações tensas, imagine que a enfrenta com confiança e entusiasmo em vez de dúvida e temor. Imagine-se cheio de energia e à vontade enquanto está ali, livre de seus medos de como os outros poderiam estar julgando você. E imagine que vai embora depois sem arrependimento, satisfeito por ter dado o melhor de si.

O corpo molda a sua mente

Em sua apresentação no TED, Amy apresenta o que classifica de posturas de poder. Para a autora, portar-se de maneira poderosa instrui as emoções, pensamentos, comportamentos e seu corpo a se sentirem poderosos em situações que podem variar da trivial à mais desafiadora. “A forma como você se conduz é uma fonte de poder pessoal – o tipo de poder que é a chave para a presença. É a chave que permite a você se liberar – liberar suas habilidades, sua criatividade, sua coragem e até mesmo sua generosidade. Expandir seu corpo expande sua mente, permitindo que você esteja presente. E os resultados dessa presença têm um alcance inimaginável. Assumir o controle de nossa linguagem corporal não se restringe a adotar uma postura poderosa. Envolve também a conscientização de que adotamos uma postura impotente mais frequentemente do que imaginamos – e precisamos mudar isso”.

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