Dez curiosidades para redescobrir o Brasil

8 de junho de 2017 | por Filipe Isensee

Uma descoberta é pouco para o Brasil, um país superlativo, descrito assim por Pero Vaz de Caminha em carta endereçada a D. Manoel I, rei de Portugal, em 1500: “Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ouvinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é toda praia parma, muito chã e muito formosa”.

Nos escombros da história oficial – sustentada por documentos, missivas, relatos contados e recontados ao longo dos séculos -, há muitas outras histórias possíveis que margeiam aquela repassada tradicionalmente nas escolas. Muitas bebem da mesma fonte, mas são contadas de forma diferente. A viagem do descobrimento, escrito por Eduardo Bueno, é um bom exemplo. O livro narra a expedição de Cabral com respeito histórico, mas com agilidade e fluidez literária. Não deixa de ser uma redescoberta.

Pedro Álvares Cabral

Confira algumas curiosidades esquecidas pela maioria dos livros escolares:

1- Não foi acidente

Ainda é comum pensar a descoberta do Brasil como acidente de percurso. A versão, contudo, é ingênua e não traduz a grandiosidade da expedição que trouxe os portugueses para cá. Segundo relata Bueno, muitos já estavam convencidos que outras ilhas deveriam existir a oeste do Açores e da Madeira, mas até então não valeria a pena explorá-la.

2 – Uma ilha chamada Brasil

Ao menos desde o século IX, os europeus imaginavam a existência de ilhas espalhadas pelo Atlântico. A ilha do Brasil era uma delas. Segundo a lenda, esse pedaço de terra havia sido descoberto e colonizado por um monge irlandês chamado São Brandão, que teria partido para o alto-mar em 565. Bueno explica: “Como São Brandão nascera em 460, ele teria 105 anos quando iniciou sua viagem”. Seria possível?

3 – Uma viagem abençoada

Uma imagem de Nossa Senhora da Boa Esperança foi colocada numa capela construída por Pedro Álvares Cabral, que a escolhera como padroeira da viagem.

4 – Segue sua Nau! O bonde segue sua Nau!

A nau capitânia, comandada por Cabral, levava 190 homens a bordo. Eram 80 marinheiros, 70 soldados e outros 33 passageiros, entre eles oito frades franciscanos e oito intérpretes. Não se pode esquecer a guarda pessoal do comandante, os besteiros. O nome curioso faz referência à besta, uma arma medieval que disparava flechas.

5 – E o que esse povo comia?

A lista era rigorosa: 15kg de carne salgada por mês – os capitães puderam transportar galinhas e ovelhas para melhorar as refeições. A base da alimentação, contudo, era um biscoito duro, salgado e fedorento. Vinho e água eram entregues diariamente, mas também racionados.

6 – Gengivas apodrecidas

Para quem ainda não entendeu: era uma vida difícil e que poderia ser ainda pior caso o passageiro ficasse adoentado. Escorbuto era a considerada a doença mais devastadora, sendo provocada pela carência de vitamina C. O efeito mais conhecido era o inchaço das gengivas, que apodreciam e tinham que ser cortadas a navalha.

7- Eu quero é preço!

Cabral ganhou uma pequena fortuna para comandar a expedição: 10 mil cruzados, sendo que cada cruzado valia o equivalente a 3,5 gramas de ouro.

8- Pedrinho era um bom partido?

Muitos historiadores ainda se perguntam: por que Cabral? As proezas do moço, fora ser descobridor do Brasil aos 32 anos, permanecem desconhecidas. O mais provável, de acordo com Bueno, é que ele tenha sido alçado ao cargo devido aos vínculos que sua família mantinha com a Coroa e, principalmente, por ser casado com uma das mulheres mais nobres e ricas de Portugal.

9 – Viagem sem atrativos

A vida a bordo era monótona e quase todas as atividades de lazer eram proibidas. Havia teatro, mas sempre de assuntos religiosos.

10 – Tupiniquins

Os indígenas com os quais os portugueses travaram os primeiros contatos eram do grupo tupiniquim. Os tupiniquim eram cerca de 85 mil e vivam em dois locais da costa brasileira: no sul da Bahia e numa estreita faixa entre Santos e Bertioga, no litoral de São Paulo.

Clique aqui e leia a carta de Pero Vaz de Caminha.

TAGS: