Uma história de transcendência e transformação

30 de maio de 2017 | por André Sequeira

Por convenção, livros são tidos como objetos que transformam vidas. Dizemos, em geral, ser impossível o leitor ficar indiferente após seu término, sejam eles de mistério, cômicos, autobiográficos ou de qualquer outro gênero. Alguns deles trazem esta característica de forma mais explícita. É o caso de A morte como despertar, de Rajiv Parti.

O autor apresenta o seu relato como um médico anestesista egoísta, materialista e vazio que nem à família dá atenção. Quando se dirige aos filhos é para humilhá-los e menosprezá-los. A esposa, só mais uma de suas posses. Depois de enfrentar um câncer de próstata – inesperado para alguém que se considerava invencível – e improváveis inflamações graves pós-operatórias, ele realiza sete operações para reparo. E, justamente na última delas, o inacreditável acontece: uma experiência de quase morte, mais conhecida como EQM, episódio em que um paciente, durante uma operação e sob o efeito da anestesia, sai do próprio corpo. Algo como se sua alma estivesse assistindo ao procedimento.

No caso de Rajiv, durante a cirurgia, ele teve visões de duas de suas vidas passadas. Ele se viu como um príncipe indiano e também como um produtor de papoulas afegão. Além disso, acertou as contas com o pai, com quem sempre teve relação dificílima. Ao ler isso, muitos argumentarão: “impossível, qualquer um poderia inventar tal relato.” Sim, definitivamente. A única diferença aqui é que o protagonista contou aos médicos coisas que ocorreram durante a operação e impossíveis dele saber estando sedado.

A morte como despertar é, sem sombra de dúvida, uma obra de um narcisista que, após uma impressionante experiência, torna-se uma pessoa diferente e que passa a ter como objetivo, segundo o próprio, “praticar a cura da alma, principalmente das doenças da alma, do corpo de energia, da dependência, da depressão, das dores crônicas e do câncer.” Criando, assim, um legado com que ele que possa conviver para sempre.

Um depoimento de amor, de autodescobrimento e de autorreflexão, pois, como o autor prova, mesmo quando achamos ter tudo, podemos ter, na verdade, nada. Por que nos deixamos chegar a este ponto? Por que abrimos mãos de familiares e amigos em troca de dinheiro, bens materiais e status? Por que deixamos nossa alma adoecer?

Para abrir a mente dos leitores e os deixarem suscetíveis a algo que transcende o mundo real, o médico abre seu coração e narra os momentos mais importantes de sua vida. Durante a EQM, o autor aborda a passagem pelo inferno, os passeios com os anjos Gabriel e Rafael, as conversas com o pai e o avô e diversos outros episódios. Conforme a história se desenrola, as pessoas perceberão de que maneira muitos dos episódios desta e de outras vidas transformaram-no neste ser mesquinho. E como a compreensão destes episódios foram fundamentais para a mudança interior.

Após a publicação desta obra, diversos grupos de leitura organizaram-se para debatê-la. Também existem fóruns on-line com depoimentos de pessoas que passaram por situações semelhantes ou que simplesmente mudaram seu estilo de vida após sua leitura. De certa forma, esta era uma das intenções de Rajiv: deixar um legado positivo no maior número possível de indivíduos.

“Eu costumava pôr as pessoas para dormir. Agora eu as desperto. E eu também despertei”.

Deixe-se despertar também!

 

Leitura recomendadas:

 

Uma prova do céu, de Dr. Eben Alexander III

 

A roda da vida, de Elisabeth Kübler-Ross

 

A cabana, de William P. Young

 

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