7 pessoas que fizeram história na televisão brasileira (e que você PRECISA saber mais sobre)

29 de maio de 2017 | por Caio Soares

Um dos grandes fenômenos culturais do Brasil, a televisão já produziu grandes programas, revelou astros e imortalizou personagens, bordões, trilhas e aberturas na memória da maioria dos brasileiros. No entanto, muitos destes momentos não seriam possíveis graças a pessoas que não costumam estar diante das câmeras. Sejam roteiristas, dramaturgos, produtores, dubladores ou diretores, todos os envolvidos no processo criativo de produção de um programa têm um papel significante por trás do surgimento de verdadeiras jóias da cultura brasileira. Quase 70 anos depois de sua primeira transmissão, a televisão segue emocionando, lançando moda, revelando talentos e é a companhia de milhões de brasileiros todos os dias.  Conheça as trajetórias de algumas pessoas que fizeram história dentro da nossa televisão que destacamos do livro “101 atrações de TV que sintonizaram o Brasil”, de Patrícia Kogut.

Janete Clair

Nascida no interior de Minas Gerais, Janete Scotto Emmer era filha de um comerciante libanês e uma costureira e passou a infância em Minas e no interior de São Paulo, sonhando fazer parte do mundo das estrelas do rádio. A estreia na televisão aconteceu depois de um bom período enfrentando preconceito das emissoras e vendo sinopses sendo recusadas sem sequer serem lidas. Em 1964, O Acusador foi ao ar na TV Tupi de São Paulo, com direção de Fabio Sabag e com Jardel Filho interpretando dois irmãos gêmeos que trocavam de identidade para solucionar um crime. Até 1967, ela escreveria mais de 30 radionovelas, a maioria delas para a Rádio Nacional. Foi nesse período que, por sugestão do radialista Octavio Gabus Mendes, ela passou a assinar “Janete Clair”. Janete teve papel importante na mudança da teledramaturgia nacional, que deixava de lado os melodramas e focava em histórias mais próximas da realidade brasileira.  Véu de Noiva, novela das oito que teve a estreia de Regina Duarte na emissora, tinha diálogos curtos e coloquiais, personagens e cenários contemporâneos e – novidade absoluta na época – uma trilha sonora moderna composta especialmente para ela.  Autora de sucessos como Sangue e Areia, Irmãos Coragem,  Selva de Pedra,  Pecado Capital e O Astro, Janete construiu uma sólida e diversificada obra dentro da televisão e da literatura e é considerada uma das maiores dramaturgas do país. Morreu em novembro de 1983 e foi casada com Dias Gomes, outro grande novelista brasileiro.

Luis Nascimento

Desde 1993, Luiz Nascimento é a principal cabeça pensante de uma das atrações mais emblemáticas da televisão brasileira: o Fantástico. Jornalista com passagens em redações de grandes veículos impressos como Placar e Folha de S.Paulo, entrou no mundo da televisão pelo esporte. Além de editar matérias diversas para os programas esportivos e para os telejornais de rede, cobriu a Olimpíada de Moscou (1980), a Copa do Mundo da Espanha (1982) e a Olimpíada de Los Angeles (1984). Em 1986, foi escolhido Armando Nogueira, diretor da Central Globo de Jornalismo, para chefiar a redação do Fantástico. Após idas e vindas da emissora, Luizinho (como é chamado pelos colegas), passou a dirigir o Fantástico como editor-chefe em 1993. Desde então, tem estado à frente do programa, que sob seu comando ganhou maior espaço para a experimentação e para interatividade com o telespectador. O Fantástico também abriu mais espaço para as reportagens de denúncia e as de valorização dos direitos do consumidor. As primeiras experiências de interatividade com o telespectador através da internet foram feitas sob iniciativa de Luiz.  

Agildo Ribeiro e Peppino Mazzullo

As gerações mais novas podem nunca ter ouvido falar do carismático ratinho de pelúcia, mas, no fim da década de 70, todo mundo ficava colado na TV para ouvir Topo Gigio pedir com sotaque italiano um beijinho de boa noite para Agildinho, como era chamado o comediante Agildo Ribeiro. O formato mirava no público infantil, mas acertou espectadores de todas as idades. O horário em que Topo Gigio aparecia ao lado de Agildo, às 20h30 das quintas-feiras, no Mister show, já entregava a faixa etária do público: os adultos também prestigiavam a atração. Antes de chegar aqui, Topo Gigio já era um sucesso em outros países como Itália e Estados Unidos. Maria Perego, inventora do personagem, estava gravando na Argentina quando Walter Clark, Boni e Augusto César Vannucci decidiram trazê-la para a TV Globo. A equipe italiana ficou no Rio, dirigida por Vannucci. Laert Sarrumor manipulava o boneco e Peppino Mazzullo repetia as falas dele, devidamente traduzidas para o português mas com um sotaque inconfundível. O ratinho estampou cadernos, lápis de cor, canecas, e chegou a gravar um disco com o hit “Meu limão, meu limoeiro”, canção de Inezita Barbosa imortalizada na voz de Wilson Simonal.

Paula Saldanha

Escritora e jornalista, Paula Saldanha foi apresentadora do programa infantil Globinho durante a década de 1970. Aos 18 anos, Paula Saldanha já tinha uma carreira de gente grande, com três livros publicados, ilustração em trabalhos de outros autores e participação em feiras literárias no exterior. Em 1974, o Fantástico resolveu entrevistar a jovem autora e ilustradora de livros infantis, entrevista que acabou rendendo um convite para Paula ser uma das apresentadoras do programa. Em 1976, passou a produzir e apresentar uma seção de literatura infantil no Jornal Hoje, que logo se tornou um espaço para falar de literatura, cinema, teatro e outras manifestações artísticas e culturais de interesse de crianças e adolescentes. O quadro foi ao ar até 1978, quando Paula foi convidada para apresentar o Globinho. O programa já existia desde 1972 e era basicamente uma exibição de documentários estrangeiros, com narração em off. Paula Saldanha já colaborava com o programa desde 1977, fornecendo reportagens científicas que realizava em parceria com Roberto Werneck. Sua entrada como apresentadora trouxe credibilidade para o programa, que ganhou o formato de telejornal voltado exclusivamente para o público infantojuvenil, com reportagens sobre temas como a indústria da seca no Nordeste e o voto de cabresto no interior do Brasil. A partir de 1979, uma série de reportagens especiais realizadas pela RW Cine, sua produtora com Roberto Werneck, passou a ser exibida aos sábados numa edição chamada Globinho Repórter. Muitas das matérias tratavam de problemas do meio-ambiente, uma novidade na televisão brasileira.

Cassiano Gabus Mendes

Beto Rockfeller. Você já ouviu falar nesta novela? Pois sabia que a produção de 1968 feita para a TV Tupi foi um verdadeiro divisor de águas do gênero. O homem por trás da ideia? Cassiano Gabus Mendes. Na época, Cassiano já havia construído uma sólida carreira na Tupi, onde chegou ao cargo de diretor artístico com apenas 24 anos. Na emissora, Cassiano lançou o lendário TV de Vanguarda, que ficou no ar por 16 anos e do qual participaram todos os grandes astros veteranos da nossa televisão. Ele também idealizou o Alô, Doçura!, com Eva Wilma e John Herbert, seriado que marcou época. Na Rede Globo, Cassiano foi o autor de novelas como Anjo Mau, sucesso de 1976 protagonizado por Susana Vieira. No ano seguinte, escreveu Locomotivas. E então vieram Te contei? (1978), Marrom glacê (1979) e Plumas & Paetês (1980), Elas por elas (1982), Champagne (1983), Ti-ti-ti (1985) e Brega e chique (1987). Mas a criação mais marcante de Cassiano Gabus Mendes foi sem dúvidas Mas a mais importante novela de Cassiano foi Que rei sou eu?, que marcou época em 1989. A trama ambientada num reino fictício francês antes da Revolução Francesa brincava com a situação política e social do Brasil do final da década de 80.  Giulia Gam, Tereza Rachel, Tato Gabus Mendes, Daniel Filho e Cláudia Abreu estavam no elenco dirigido por Jorge Fernando. Cassiano faleceu, no dia 18 de agosto de 1993, aos 64 anos.

Nilton Travesso

O cenário é familiar para todo mundo que acompanha TV:  Um personagem se vê numa situação cômica, produz uma frase de efeito, a plateia que assiste a gravação do programa gargalha, enquanto os próprios atores têm dificuldade de segurar o riso em cena. Pensou em quantos programas neste estilo? A sitcom, ou “comédia de situação”, numa tradução livre, é um dos grandes formatos de sucesso da televisão brasileira. A fórmula se popularizou no Brasil com a Família Trapo, sucesso de audiência da TV Record entre 1967 e 1971. Nilton Travesso foi um dos criadores do programa que revelou nomes consagrados do nosso entretenimento como Ronald Golias (Carlos Bronco Dinossauro, principal personagem do show) e Jô Soares, no papel do mordomo Gordon. Com roteiros de Carlos Alberto de Nóbrega e Jô Soares, e direção de Travesso, Manoel Carlos e Tuta de Carvalho, a atração fez enorme sucesso, sendo líder de audiência no horário em seus três primeiros anos. A história de Nilton Travesso se confunde com boa parte da história da TV brasileira. Na Record da família Carvalho, onde começou em 1953, dirigiu teleteatros e novelas, além de programas como o de Silveira Sampaio, o primeiro talk show da TV nacional, e shows de Jô Soares e Cidinha Campos. Ao lado de grandes nomes como Antônio Augusto Amaral de Carvalho, Manoel Carlos e Raul Duarte, criou programas clássicos como o Show das 7, os festivais da MPB dos anos 1960, e transformou Hebe Camargo na maior apresentadora do país. Na Globo, Travesso participou da implantação do Fantástico em 1974 e comandou programas como TV Mulher e Balão Mágico no começo dos anos 1980. Foi para a Manchete em 1987 para instalar o núcleo de teledramaturgia que lançaria três anos mais tarde o fenômeno Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa. Passou pela Band, SBT, voltou para a Globo e novamente para o SBT. Desde 2014, dirige o Todo Seu, programa do amigo Ronnie Von na Gazeta.

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