A originalidade não é uma característica fixa, inata. É uma escolha.

22 de maio de 2017 | por André Sequeira

Steve Jobs ficou conhecido pela criação da Apple e pelos famosos iPods, iPads, iPhones, entre outros. Mais do que isso, ele ficou conhecido pelo temperamento difícil, pelo jeito intransigente e por, em poucas oportunidades, ter trocado de opinião sobre um assunto. O que muitos não sabem é que, certa vez, ele foi convencido a mudar uma ideia após um debate com um funcionária bem abaixo dele na hierarquia da empresa. Como Donna Dubinsky conseguiu tamanha façanha?

Desde jovens ouvimos ser imprescindível desenvolver a criatividade e estarmos sempre à frente de todos. Caso contrário, não atingiremos a excelência nem na escola/faculdade nem no trabalho. Crescemos com tamanha responsabilidade, o que, em muitos casos, acaba sendo extremamente prejudicial em nossa vida. E se a criatividade e a excelência não forem uma obrigação, e sim, algo natural?

No colégio precisamos ser o melhor aluno. Na universidade, a cobrança – oriunda da família, de colegas e de professores – é para desenvolvermos trabalhos maravilhosos e inovadores. Já no emprego, convivemos 24 horas com a cobrança por desempenhos cada vez mais destacados e por soluções vanguardistas. Quando teremos tempo para sermos nós mesmos e deixarmos que tudo ocorra no tempo certo?

Muitas pessoas são, sim, naturalmente, criativas e inovadoras, porém todos são predispostos a adquirirem também tais características. O mais importante é permanecer sempre atento à realidade à sua volta e ser um eterno inconformista. Aliando isso à força de vontade e à determinação. Assim, você aumentará as chances de ser o que muitos buscam ser: um ORIGINAL. Saiba que isso é um processo natural, não algo que deva ser imposto por quem quer que seja. Contudo, como saber o momento de buscar esta virada?

Em primeiro lugar, todos nós precisamos estar motivados e valorizados, caso contrário, como iremos nos dedicar a um trabalho sem enxergar um propósito nele? Existem inúmeros relatos de casos de pessoas consideradas por seu líder acomodadas no trabalho, mas que, na verdade, nunca tiveram a motivação correta ou a indicação do que estava errado para, assim, desenvolver-se. Como, então, colocar a “culpa” somente em um indivíduo?

Para piorar, a percepção de grande parte da sociedade é: ou você nasce criativo – o que as levarão a ser originais – ou você terá apenas momentos de destaque na vida. Adam Grant, em sua obra Originais, acaba para sempre com esse mito criada há gerações. Segundo ele, todos os dias nos deparamos com coisas que amamos e que nos dão prazer. E, diferentemente do que é apregoado, todos são capazes de promover inovações em benefício para a sociedade. Para isso, basta parar de tentar se encaixar tanto no mundo quanto nos parâmetros da sociedade, e procurar ser você mesmo.

Para sair da inércia e dar os primeiros passos rumo ao sucesso criativo, é primordial entender que a originalidade é o oposto de conformismo: não siga o caminho mais fácil ou aquele que imagina ser o esperado; tente ir por aquele menos trilhado e mais difícil. Não podemos aceitar sempre o padrão, mas sim, brigar pelo diferente se for a melhor opção.

Não pense que ser original é fundar a própria empresa, criar um produto incrível ou produzir uma obra-prima artística. Na verdade, ter ideias de como melhorar o ambiente em sua empresa ou em sua escola já são atitudes incríveis. Não acredita? Pense em alguma coisa simples que foi feita em algum lugar do seu cotidiano e que melhorou muito a realidade local. Nunca aceite que a conformidade possa vencer. Para mudar basta se mexer. Enfrente grandes riscos. Geralmente, uma simples atitude altera tudo ao seu redor.

E se você já ouviu alguma vez que a criatividade é inata e um dom de seres superdotados, rebata na hora essa afirmação. Realize uma pesquisa e, em segundos, comprovará que isso está longe de ser verdade. Muitos dos considerados gênios só brilharam depois de muito trabalho e décadas de inquietação interior: Leonardo Da Vinci finalizou seu mais famoso trabalho, a Monalisa, perto de sua morte; Alfred Hitchcock lançou três de seus grandes sucessos, Um Corpo que Cai, Intriga Internacional e Psicose, por volta dos 60 anos. Qual o diferencial da maioria deles? São inconformistas acima de tudo.

Além disso, não tenha pressa, esteja preparado para agir quando o momento chegar: “Largar na frente não serve para nada se alguém vier atrás e tomar seu lugar.”, já dizia o escritor Peter Thiel. Se for preciso, inclusive, mantenha o emprego enquanto trabalha em seu projeto. O criador da Nike, Phil Knight, por exemplo, enquanto se dedicava à empresa, atuou por anos como contador. (Confira o texto Just do It)

No fim, a boa notícia: o sucesso está em nossas mãos. Basta que estejamos antenados e que façamos da inconformidade uma premissa de vida. Foi justamente isso que fez a funcionária da Apple dobrar o chefão Jobs: em momento algum ela desistiu. Muito pelo contrário: fez da inconformidade pelo que considerava correto uma meta dentro da empresa. Essa “pequena vitória” de Donna proporcionou um grande salto de vendas para a Apple.

“Elas (as pessoas originais e inovadoras) sentem os mesmos medos e as mesmas dúvidas que nós. O que as diferencia é que, mesmo assim, partem para a ação. No fundo sabem que fracassar lhes traria mais desgosto do que nem tentar.” – Adam Grant em Originais

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