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15 de maio de 2017 | por André Sequeira

Marca da vitória, a autobiografia do criador da Nike, Phil Knight, é uma obra que vai conquistar os leitores do Brasil como já vem acontecendo em todo o mundo. Prepare-se para ser contagiado por uma grande história de superação.

Phil, ainda jovem, no começo da década de 1960, decidiu ir ao Japão fazer uma proposta aos donos da marca Tiger – hoje, Asics – para ser seu revendedor nos Estados Unidos. A ideia não surgiu do nada: ele estava insatisfeito com sua vida monótona, além do que, correr era sua paixão – Phil foi um excelente atleta de distâncias curtas. Até por isso, ele sabia da qualidade dos calçados da marca japonesa. Surpreendentemente, os orientais aceitaram sua proposta e, para dar maior robustez à empresa, chamada Blue Ribbon, ele associa-se a Bill Bowerman, treinador de atletismo que viria a se tornar um dos mais importantes do país.

Ao longo dos anos, a empresa cresce e Phil ganha novos mercados além do Oregon, estado onde ele morava e onde começou a vender, e passa a atuar da Costa Leste à Oeste do país. Tudo de forma amadora e confusa, mas com certo retorno financeiro. Entre altos e baixos, brigas, dívidas e muita dedicação, aliado a funcionários dedicados e apaixonados, ele leva o vínculo com a Tiger até o começo da década de 1970, quando, para dar um fim numa já esgarçada parceria, decide criar a própria empresa: a Nike –para quem não se lembra, este é o nome da Deusa Grega da Vitória. Knight, há anos, sentia que precisava de uma marca que expressasse melhor a sua personalidade e, também, das pessoas com quem trabalhava. E, claro, não podia ficar preso para sempre a um CEO que o impedia cada vez mais de crescer.

 

A marca da vitória é incrivelmente instigante. O leitor descobre vários momentos em que tudo parece que vai dar errado, mas que, por competência de alguns – e por sorte também -, acaba se ajeitando. Phil Knight foi em muitas ocasiões inconsequente e louco, mas sempre com a certeza de que estava realizando o que ama do jeito que ama. Esse amor fez toda a diferença, desde quando resolve ir ao Japão até a consolidação da empresa como uma das maiores do mundo. Um prato cheio para quem procura histórias repletas de dicas e de exemplos de empreendedorismo, de economia, de administração e, também, para os amantes apenas de uma boa trama. Dificilmente alguém vai se decepcionar.

É curioso se pegar pensando: “Agora não tem jeito, Phil Knight vai falir e fechar a empresa.” Enquanto isso, você tem certeza de que não vai acontecer, pois hoje a Nike é isso que ela é! Saber como ele contorna cada adversidade é um dos pontos altos de A marca da vitória.

Para quem gosta de esporte, este título é um deleite. O autor explica como surgiram as ideias de vários modelos de tênis, não só da Nike como os da Tiger/Asics, abordando seu relacionamento com atletas de ponta que acreditaram desde o começo na marca americana. Por exemplo, Steve Prefontaine, incrível corredor estadunidense que morreu de forma trágica aos 24 anos; ou quando Phil se encantou com um tenista juvenil irritadinho jogando numa quadra secundária em Wimbledon. Sem nunca ter ouvido falar do atleta, ele o abordou com uma proposta de patrocínio. Mal sabia que estava contratando, naquele momento, a lenda do esporte John McEnroe.

Emocionante quando ele fala dos grandes pilares da marca: Michael Jordan, Tiger Woods e Kobe Bryant. Ou quando aborda o relacionamento próximo com Pete Sampras, Lebron James e Andre Agassi.

Fora o âmbito dos negócios, Phil Knight trata sem reservas do seu relacionamento familiar, do casamento com a única mulher da sua vida, da criação dos filhos – complicada, visto que ele dedicava 99% do seu tempo à empresa – e dos problemas com funcionários e sócios.

Ler A marca da vitória torna quase inacreditável comprovar o que a Nike se tornou depois do começo amador e das dificuldades enfrentadas pelo caminho. Lembre-se: a empresa virou sinônimo de esporte em todo o planeta.

Livros de não ficção como este são escritos para tornarem-se marcos da literatura. Assim como há pouco tempo ocorreu com o fenômeno Sonho grande, de Cristiane Correa, em que mostra como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira ergueram, em pouco mais de quatro décadas, o maior império da história do capitalismo brasileiro e ganharam uma projeção sem precedentes no cenário mundial.

Dica: vale a pena, durante a leitura, procurar na internet fotos dos modelos de tênis citados e dos atletas que aparecem ao longo da trama. Você perceberá que a Nike está mais presente em sua vida do que imagina.

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