A época da maior gratidão

14 de maio de 2017 | por André Sequeira

A celebração deve ser diária, mas há certos períodos em que ela precisa ser reverenciada de forma explícita e mais intensa. O Dia das Mães é um desses, aquele em que homenageamos uma pessoa tão importante para nossa vida.

Essa ode a elas poderia ser definida de diversas formas. Contudo, adotemos está data com o dia oficial da gratidão. Gratidão por ter nos colocado no mundo, por ter nos criado, por existir seja da maneira que for. Mãe não é quem cria ou quem nos dá a vida, mas, simplesmente, quem nos ama acima de tudo. Aquela que está ao nosso lado lado do modo que for possível: umas presencialmente, outras espiritualmente, outras por meio de lembranças, algumas até por cartas trocadas.

Ao longo de nossa vidas, passamos por momentos duros, complicados, e só sobrevivemos porque uma mãe nos fez suportar. Reparem: em muitas ocasiões, o papel de mãe pode ser exercido inclusive por um homem, por exemplo, um amigo, um irmão ou um pai. Nesta análise aqui, o gênero não é o mais importante, mas sim, a instituição mãe, que é acima de tudo, um sentimento, não apenas alguém específico.

No meu caso, umas das coisas a que mais sou grato na vida foi proporcionada por minha estimada mãe. Desde os 3 anos de idade, ela me levava, em todo primeiro dia útil do mês, a uma livraria, na maioria das ocasiões, na Siciliano da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. Neste dia, ela me permitia escolher os dois livros que eu quisesse. Demais, né? Lembro-me de ficar ansioso durante semanas por este passeio. Essa magnífica ideia foi primordial para minha formação como leitor, além de ser uma ótima maneira para que eu perceba minha própria evolução literária.

Comecei essa jornada selecionando livros interativos, daqueles que nos proporcionam a oportunidade de ler e brincar ao mesmo tempo. Depois, começou a loucura por Ruth Rocha e Mauricio de Souza. Em seguida, vieram a coleção Vaga-Lume e as aventuras dos Karas e também as do cachorrinho Samba. Anos depois, com a descoberta de Agatha Christie, veio a febre por literatura policial – que dura até hoje e é percebida pelo desespero a cada lançamento do espetacular Harlan Coben – chegando, finalmente, nos grandes clássicos.

Literatura é minha maior paixão, quase minha vida. Assim, como eu não seria eternamente grato a minha incrível mãe?

Detalhe: atualmente, em todas as vezes em que entramos juntos em uma livraria, ela me dá um exemplar de presente. Eu não peço, ela não oferece. É um acordo implícito que temos há décadas. Aliás, o último com que fui presenteado foi A senhora das águas, de Pedro Siqueira. Leitura mais do que recomendada.

Gratidão, por definição, é o reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício. É ou não é perfeito para ilustrar o Dia das Mães?

Agradeça sempre por ter ou ter tido uma mãe em sua vida. E lembre-se: diga isso sempre que puder a ela, mesmo que você tenha certeza de que ela já sabe isso.

 

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