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CULTURA | SARAIVA

Você pode falar com Deus

7 de maio de 2017 | por Editora Sextante

Há muitos anos, conduzo um grupo de orações católico que tem por foco principal a devoção mariana do rosá- rio. Durante as reuniões, com base em dons espirituais, transmito revelações do Espírito Santo, falo sobre as coisas que vejo no mundo espiritual e mensagens de Nossa Senhora, de alguns santos e anjos. Essa peculiaridade mística fez com que, com o passar do tempo, o número de participantes crescesse bastante, atraindo, inclusive, a curiosidade dos meios de comunicação.

Naturalmente, surgiram diversos questionamentos por parte dos fiéis, pois percebem que, nos momentos em que rezam o terço comigo, se inserem em uma atmosfera diferente de tudo que já experimentaram. Costumam me dizer que, ao sair dos nossos encontros, se sentem amados por Deus, com uma espécie de alívio no coração e na alma. É algo palpável, que podem sentir na pele.

Segundo os relatos, não se trata apenas de sensações físicas ou metafísicas: vários pedidos feitos nas reuniões são atendidos por Deus, relativos a curas, emprego, casamento, vida financeira, entre outros. Constantemente, sou bombardeado por perguntas: Como isso acontece? Por que é possível, naquele instante de fé, sentir uma paz, algo muito forte e envolvente? Seria viável que as pessoas, no dia a dia, tivessem acesso a tal força?

Os participantes começaram a reivindicar de mim uma fórmula para se atingir, nas mais diversas situações, esse estado de graça. Nos últimos anos, no Rio de Janeiro, em São Paulo, João Pessoa, Belém, Manaus e outras cidades onde conduzo encontros de oração do terço, tenho sido cobrado incisivamente a elaborar um livro que os auxilie no caminho espiritual.

Durante muito tempo, rejeitei essa tarefa. Havia colocado na cabeça que as pessoas poderiam encontrar por si mesmas caminhos para terem um canal com Deus, para lhe apresentar suas necessidades. Meu pensamento inicial era que as reuniões comandadas por mim iriam se somar às orações diárias de cada um e especialmente à Santa Missa e já seriam o suficiente para produzir um bom efeito nos corpos espirituais dos interessados. Todos teriam condições de enfrentar as batalhas diárias com vigor, pois estariam cultivando a semente da espiritualidade no coração de acordo com as próprias inspirações.

Além do mais, do meu ponto de vista, uma abordagem abrangente do mundo espiritual por meio de um livro levaria muito tempo para ser confeccionada e eu não gostaria de fazê-la de qualquer jeito. Uma obra como a que me pediam provavelmente seria volumosa demais, o que, tenho certeza, desencorajaria a maioria das pessoas a lerem. Essa, portanto, não me parecia ser a melhor solução.

Um dia, estava lendo um livro sobre o silêncio na oração e percebi que minha atitude não era positiva: não devia negar um texto sobre o ministério que exerço para o grande número de pessoas que, ao longo de tantos anos, vem acompanhando minha missão. Naquele momento 19 mesmo, ao buscar auxílio para questões pessoais, me valia dos ensinamentos espirituais de alguém que tinha dedicado um bom tempo de sua vida para elaborar um escrito de qualidade.