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SARAIVA | CULTURA

O homem mais inteligente da história

7 de maio de 2017 | por Editora Sextante

Anna, a mulher de Marco Polo, era uma psicóloga brilhante. Sua mãe sempre fora depressiva e, infelizmente, havia tirado a pró- pria vida quando ela ainda era criança. Teve de se reinventar para sobreviver. Seu pai, Dr. Amadeus, era um exemplo clássico do homem que empobreceu à medida que enriqueceu. Era autoritário, insensível, controlador, cobrador.

A doença de sua mãe a estimulou a especializar-se em depressão, o último estágio da dor humana. Marco Polo foi um ponto de virada em sua história, um novo capítulo em sua biografia, que contribuiu muito para que ela se tornasse dócil e resoluta, generosa e determinada. Seu objetivo principal como profissional de saúde mental era instigar seus pacientes a serem autônomos.

Seu pai tentou de todas as formas impedir a relação dos dois. Ter uma filha psicóloga já era complicado para um megaempresário cujo deus era o dinheiro. Agora, ter um genro psiquiatra, amigo dos “esquizofrê- nicos”, era intragável e revelava as próprias loucuras do Dr. Amadeus.

– Minha filha, você tem uma vida de rainha. Viver com esse psiquiatrazinho sem dinheiro e saturado de romantismo intelectual fará com que você, cedo ou tarde, caia na realidade. Certamente engordará as estatísticas dos relacionamentos fracassados.

Marco Polo chegou sem que fosse notado e ouviu a conversa do pai com a filha. Sempre seguro, interveio com convicção:

– Quem ama sem riscos ama sem glórias!

Pego de surpresa, Dr. Amadeus não pediu desculpas. Aliás, desculpas não faziam parte do dicionário de sua vida. Confrontou-o:

– Só que alguns riscos são estúpidos e irracionais… O padrão de vida da minha filha vai despencar e você não vai conseguir supri-lo sem minha ajuda.

– Não precisaremos da sua ajuda – afirmou Anna.

– É o que os filhos rebeldes sempre dizem – rebateu o pai com raiva, afastando-se.

Refém do passado, no início do relacionamento Anna era possessiva, ciumenta, hipersensível, sempre procurando uma atenção desproporcional de Marco Polo. Uma pequena distração que fosse gerava dramáticas cobranças. O médico estimulava sua consciência crítica, pois sabia que ninguém se casa apenas com uma pessoa, mas também com os fantasmas do seu passado e com sua família.