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CULTURA | SARAIVA

O que eu sei de verdade

7 de maio de 2017 | por Editora Sextante

Eu levo meus prazeres bastante a sério. Trabalho duro e me divirto um bocado; acredito no conceito de yin e yang da vida. Não preciso de muito para ser feliz porque encontro satisfação na maioria das coisas que faço. Algumas satisfações têm cotação mais alta que outras, é claro. E, como tento seguir o que prego – viver o momento –, estou durante a maior parte do tempo sintonizada de forma consciente com a quantidade de prazer que recebo.

Quantas vezes ri tanto ao telefone com minha melhor amiga, Gayle King, que minha cabeça chegou a doer? No meio das gargalhadas, às vezes penso: Não é um privilégio, depois de tantos anos de ligações noturnas, ter alguém que me diga a verdade e me faça rir desse jeito? É um prazer que merece a cotação máxima.

Estar consciente das experiências que valem uma cotação alta e criá-las para si faz com que você se sinta abençoado. Para mim, simplesmente acordar “em sã e plena consciência”, ser capaz de colocar meus pés no chão, andar até o banheiro e fazer o que precisa ser feito vale cinco estrelas. Já ouvi muitas histórias de pessoas que não têm saúde suficiente para isso.

Uma xícara de café forte com um creme de avelã perfeito: quatro estrelas. Uma caminhada pelo bosque com os cães sem coleiras: cinco estrelas. Malhar: uma estrela, ainda. Sentar-me sob a sombra dos meus carvalhos e ler o jornal de domingo: quatro estrelas. Um bom livro: cinco. Jogar conversa fora na cozinha de Quincy Jones, falando sobre tudo e nada em particular: cinco estrelas. Poder fazer coisas boas por outras pessoas: cinco com louvor. O prazer está em saber que aquele que recebe o bem entende o espírito do gesto. Tento fazer algo de bom por alguém todos os dias, seja um conhecido ou não.

O que eu sei de verdade é que o prazer é uma troca de energia: você recebe de volta o que dá. O seu nível de prazer é determinado pela maneira como você enxerga sua vida.

Mais importante do que uma vista perfeita é a sua visão interna, o seu próprio espírito sussurrando em seu ouvido palavras de orientação e graça – este é o verdadeiro prazer.