Cuidando da saúde do bolso

7 de maio de 2017 | por Gustavo Cerbasi

Há tempos estudo a relação entre qualidade de vida e o uso do dinheiro, e é impressionante a constatação: quem sabe lidar com o dinheiro tem uma vida claramente mais saudável. Em uma sociedade que nos bombardeia com informações, obrigações, oportunidades, dificuldades e decisões numa intensidade extenuante, aqueles que conseguem eliminar os problemas financeiros de suas preocupações contam com um grande alívio mental que faz muita diferença no dia-a-dia. Pense bem: se, das preocupações que a família de classe média tem, fossem eliminadas todas aquelas ligadas ao dinheiro – prestações pendentes, reajustes do aluguel, matrícula da escola, cheque especial – a situação não ficaria bem melhor?

O fato é que muitos estão pagando por sua saúde física e mental o preço da indisciplina e da falta de cuidados com o dinheiro. A maioria das pessoas adota um padrão de vida do tamanho de sua renda, o que é um grave erro. A moradia é decidida de acordo com o espaço que se tem no orçamento para se pagar o aluguel; a compra do automóvel, com base na capacidade de “agüentar” o financiamento por alguns meses; a viagem de férias idem. Porém, a inflação engole nossa renda e, aos poucos, a família que empata em consumo tudo o que ganha começa a se deparar com a temerosa hipótese de ficar no vermelho, entrar no cheque especial, pagar juros monstruosos. E, com esse medo, começam os conflitos familiares, discórdia e imposição de limites que antes não existiam. Cortam-se do orçamento gastos certamente essenciais, como o lazer e o cuidado com a saúde. A vida passa a ser burocrática, um eterno recebimento e pagamento de contas.

Na verdade, é preciso desenvolver a consciência de que nossa capacidade e vontade de trabalhar não duram para sempre, e por isso o salário que ganhamos hoje tem que ser suficiente para sustentar nossa vida atual e também nossa aposentadoria. É preciso poupar pelo menos 10% do que ganhamos hoje, se quisermos ter um futuro minimamente digno e saudável. Se a renda de hoje não é suficiente, é porque escolhemos mal nosso padrão de vida – devemos encolhê-lo um pouco o quanto antes. E diminuir o padrão de vida não significa cortar o lazer e o bem-estar, mas talvez buscar uma moradia de aluguel menor e reduzir o padrão de nosso automóvel. Não se deve deixar de viver.

Poupar é tão importante quanto comer, dormir e cuidar do corpo. São tarefas que garantirão nosso bem-estar nesta vida por mais tempo. Mas, assim como aprendi em meus tempos de atleta que exagerar nos “cuidados com o corpo” pode fazer tão mal quanto dormir demais ou comer demais (eu nadava de três a quatro horas por dia…), poupar é uma atividade essencial que deve ser seguida sem exageros. Poupe o suficiente para garantir a preservação de seu bem-estar; não acredite que você será feliz deixando de usufruir hoje para ser rico amanhã, porque isso não acontecerá. Aqueles que poupam intensamente a vida toda descobrem, ao final de suas vidas, que não aprenderam a usufruir daquela riqueza acumulada, não aprenderam a viver. Viva em equilíbrio.

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