Chega de açúcar – missão Nordeste

7 de maio de 2017 | por Nana Vaz de Castro

Uma grande vantagem de trabalhar numa editora de não-ficção é poder tomar conhecimento de novas pesquisas e tendências em variados ramos do saber. Em outras palavras, aqui aprende-se de tudo. Das melhores formas de fazer seu planejamento financeiro aos mais recentes estudos sobre a microbiota humana, passando por experiências de quase-morte.

Um assunto que sempre me interessa muito é alimentação. E um livro fascinante que li recentemente foi Chega de Açúcar, da australiana Sarah Wilson. A autora tem uma proposta radical, de eliminação total do açúcar, ao longo de um programa de 8 semanas. Confesso que não estou preparada para tanto, mas mesmo assim aproveitei bastante o livro, em especial as sugestões de lanches e snacks, e as mais de cem receitas sem açúcar que o livro traz.

Se não tenho planos de tirar totalmente o açúcar da vida (não quero abrir mão da banana e do mamão de todo dia), aprendi muito com essa leitura. Informação é poder. Fiquei mais alerta a respeito dos malefícios deste viciante ingrediente (comemos em média mais de um quilo de açúcar por semana!), e imediatamente comecei e reduzir o consumo.

Já saio muito na frente porque há anos tomo café sem açúcar, um hábito que por si só já faz despencar a quantidade diária ingerida. Mas fiz um esforço consciente de comer menos açúcar, e o resultado que mais me impressionou foi a mudança do paladar. De repente, comecei a achar tudo doce demais! Sucos industrializados, biscoitos, até granola: tudo começou a me parecer excessivamente adoçado. Pronto: virei “a chata do açúcar”…

Mas a situação ficou crítica mesmo numa viagem que fiz a Fortaleza. Eu já tinha reparado em outras viagens ao Nordeste: a dificuldade de encontrar café sem açúcar. É constrangedor, porque o cafezinho é o ícone absoluto da hospitalidade, e recusá-lo é quase ofensivo, mas a questão é que no Ceará ninguém pergunta se você toma com açúcar ou adoçante: simplesmente servem o café (generosamente) adoçado.

Não é só café, no entanto. Talvez por ter sido por tantos anos o pólo açucareiro do Brasil, o Nordeste respira açúcar — está aí a rapadura, que não me deixa mentir. E não é só ela: a cocada, o bolo-de-rolo, a canjiquinha, o pé-de-moleque, o cuscuz de tapioca… É tudo muito doce!

Nessa época de festas juninas, você está disposto a tentar alternativas? Aqui vai uma sugestão extraída do livro.

TRUFAS DE BATATA-DOCE
(rende aproximadamente 16 unidades)

Ingredientes:
1 xícara de purê de batata-doce
3 colheres de sopa de óleo de coco derretido
2 colheres de sopa de creme de coco
1 coher de sopa de farinha de coco
1 colher de chá de estévia granulada ou 1 a 2 colheres de chá de xarope de arroz integral
1 pitada de sal
1 punhado de coco ralado sem açúcar (tostado, se preferir)

Modo de fazer:
Em uma tigela, misture todos os ingredientes, exceto o coco ralado, mexendo bem. Tampe e leve à geladeira por, pelo menos, 1 hora. Molde as trufas e passe-as no coco ralado. Guarde na geladeira em um recipiente hermeticamente fechado durante uma semana.

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