A maratona das feiras (literalmente)

7 de maio de 2017 | por Nana Vaz de Castro

Para quem trabalha no ramo de Aquisições de títulos estrangeiros, as feiras internacionais são momentos importantes do calendário. Diferentes das nossas bienais, que são abertas ao público e uma grande oportunidade para vender livros, essas feiras são só para profissionais da indústria editorial, e nelas não se vendem exemplares, apenas direitos de publicação nos diferentes países.

Existem feiras no mundo inteiro, durante todo o ano, mas as maiores e mais relevantes para o ramo de obras gerais são as de Bolonha (voltada exclusivamente para a literatura infantojuvenil), Londres (em abril) e Frankfurt (em outubro).

Ir às feiras significa ter uma agenda lotada de encontros de meia hora, praticamente sem interrupção, durante a duração do evento (3, 4 ou 5 dias).

É uma ralação danada, e todo mundo sabe que exige intensa preparação – estudar previamente cada um dos encontros, saber o que falar, o que pedir, como interagir, conhecer os catálogos da agências e editoras etc.

Mas o que pouca gente se dá conta é que ir às feiras exige também intensa preparação física.

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O International Rights Center, reservado aos agentes literários

Isso porque nas feiras existem basicamente dois tipos de pessoas: vendedores e compradores. Os vendedores passam o tempo todo sentados em suas mesas ou estandes, recebendo os compradores, que se deslocam a cada encontro. Nós aqui fazemos parte deste segundo grupo, o que significa que andamos pra caramba.

Dependendo do local onde a feira se realiza, isso pode querer dizer, na prática, um deslocamento diário nada desprezível. A London Book Fair, que acabou de acontecer na semana 11-15 de abril, é realizada, desde 2015, no centro de convenções Olympia, um lugar muito grande, e os organizadores definitivamente não facilitaram a nossa vida, espalhando os estandes por toda a imensa extensão dos dois pavilhões, e relegando a importantíssima área dos agentes (o International Rights Centre, ou IRC) a um local muito isolado. E por mais que a gente se esforce para concentrar os encontros consecutivos no mesmo lugar, não tem jeito, ir de um lado para outro é inevitável.

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Um dos pavilhões do Olympia – está vendo a escada roxa à esquerda? pois é: não tem escada rolante!

Este ano, com a ajuda do app Google Fit instalado no meu celular, consegui mensurar minhas andanças pela feira, e confesso que fiquei impressionada. 

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Segunda, 11 de abril: 8,2km/15.775 passos

Terça, 12 de abril: 8,3km/17.522 passos

Quarta, 13 de abril: 9,9km/19.168 passos

Quinta, 14 de abril: 5,4km/16.044 passos

É isso mesmo: 31,8km ou 68.509 passos em 4 dias!

Portanto, além da recomendação óbvia de usar sapatos bastante confortáveis, fica a dica de praticar exercícios físicos regularmente para aumentar sua capacidade de resistência. Além disso, uma alimentação leve e balanceada  ajuda a segurar o pique. Apesar de muitas opções de quiosques de comida, tudo tem sempre muita fila, e não é fácil resistir ao excesso de cafés, muffins e chocolates tão facilmente acessíveis. Tentei ser responsável e investir nos “sucos energéticos” disponíveis nas lojinhas, mas quase morri ao tomar um de cenoura, laranja e uma quantidade absurda de gengibre! Mas faz diferença, afinal, quando a feira encerra às 18h, começa o segundo turno, os coquetéis e jantares, oportunidades muito importantes de aprimorar o networking, fazer contatos e trocar dicas de potenciais best-sellers. 

Não é moleza, mas é um evento maravilhoso em que podemos, além de fazer negócios, conviver com a nossa “tribo”, as pessoas que entendem o que nós fazemos!

Já estou me preparando para a próxima.

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